Pernambuco provoca a 1ª baixa no governo Bolsonaro

Mesmo sem ter ninguém influente no governo federal, Pernambuco contribuiu indiretamente para a exoneração do primeiro colaborador de peso de Jair Bolsonaro, o ministro Gustavo Bebiano, que deve ser mandado embora, hoje, pelo presidente Bolsonaro. Com isto, o presidente estará praticando um dos maiores gestos de covardia e ingratidão da história política do país. Bebiano foi um dos principais incentivadores da candidatura dele ao Palácio do Planalto, tendo também negociado com o deputado Luciano Bivar a filiação do “capitão” ao PSL.

Bolsonaro e Luciano Bivar

Depois, por exigência do próprio Bolsonaro, Bivar cedeu a direção ao partido a Bebiano, assim como a presidência das comissões provisórias nos principais estados. Tanto foi assim que, após a vitória eleitoral do “capitão”, o nome de Bebiano entrou na lista dos “ministeriáveis”, tendo sido convidado para uma pasta estratégica que funciona no Palácio do Planalto: a Secretaria de Governo da Presidência da República. Bebiano negociava com deputados e senadores a aprovação da reforma previdenciária quando foi surpreendido por uma matéria da “Folha de São Paulo” acusando-o de ter liberado R$ 400 mil para uma candidata a deputada federal pelo PSL de Pernambuco, que obteve apenas 287 votos. Bebiano ficou rouco de tanto explicar que não foi o responsável pela montagem das chapas nos estados e que os recursos que cada secção regional recebeu foram em decorrência de acerto interno entre os membros da legenda visando ao cumprimento da legislação eleitoral, que obriga os partidos a reservarem pelo menos 30% de suas vagas para candidatas mulheres. Foi nesse contexto político que o PSL de Pernambuco lançou Maria de Lourdes Paixão para deputada federal e Érika Siqueira Santos para deputada estadual, ambas assessoras do deputado Luciano Bivar.

Ora, se veio dinheiro do fundo eleitoral para bancar as duas candidaturas num montante bem superior ao peso político de cada uma, a culpa não pode ser debitada na conta de Bebiano, que estava cuidando tão somente da campanha presidencial. Além do mais, o dinheiro foi solicitado por Bivar, que mesmo afastado provisoriamente do comando continuava sendo o presidente nacional do partido. Bolsonaro ignorou todos esses fatos e demitiu seu correto e operoso ministro, apesar dos apelos em sentido contrário do vice-presidente Hamilton Mourão, dos presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (Davi Alcolumbre) e do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Foi o primeiro gesto explícito de ingratidão do atual presidente da República apenas para atender ao desejo do filho, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, que parece mandar no governo tanto quanto o pai e o Brasil não aceita isto. (Inaldo Sampaio)

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