Costume comum em lares do País no século 20, o ato de acorrentar cães ou gatos de forma permanente ou cruel pode virar crime em nível nacional. A pena prevista é reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal.
É o que está previsto no Projeto de Lei 2648/25, aprovado em comissão na Câmara Federal, que cria um crime específico para a prática. Já o PL 3077/24, também aprovado em comissão, estende a medida a outras espécies domesticadas.
“Criminalizar a contenção permanente reforça que o animal não é um objeto, e sim um ser senciente, que sente dor, medo, calor e desconforto. O PL não resolve tudo sozinho, mas cria um instrumento legal para combater o abuso”, afirma a médica veterinária Aline Quintela, 47 anos, coordenadora acadêmica da Unifacs.
A médica veterinária Acidalia Carine Vieira Santos, 44 anos, apoia a criação da lei.
“Embora não seja suficiente, ela ajuda a coibir maus tratos e oferece respaldo legal para impedir situações absurdas como animais abandonados e amarrados sem qualquer proteção”, afirma Acidalia, que é coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Uni jorge.
“Como tutora de um cão de grande porte, sou totalmente contra deixá-los presos a correntes”, afirma Victoria Lima, 23 anos, estudante de Medicina Veterinária, tutora dos SRDs Billy e Beno.
Ela conta que presenciou as consequências do uso permanente de correntes em um cão. “Ele vivia 100% preso, era muito agressivo e nitidamente ansioso. Devido ao atrito da coleira com a pele ele teve lesões no pescoço”, conta.
Perigo
O uso de correntes de maneira permanente expõe os animais a riscos graves, sobretudo no Verão. Veterinários alertam que pode limitar a locomoção, gerar lesões musculares e até queimaduras. O calor aquece a corrente que, em contato com a pele do animal, pode gerar lesões.
Até hoje, ainda há pessoas que acreditam ser a corrente um instrumento de contenção. “O porte ou raça do cão não justifica o confinamento cruel. Cães precisam de espaço, enriquecimento ambiental, interação social e estímulos adequados”, afirma Marta Duarte, 63 anos, fisioterapeuta, tutora de Bella, pastor suíço, 3 anos, e Simba, pastor australiano, 2 anos.


























