
O presidente da CPI do Genocídio, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou, em entrevista à Folha, publicada neste sábado (15), que o vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão, pode vir a ser convocado para dar depoimento à comissão por conta do recebimento da carta da Pfizer oferecendo vacinas ao governo.
De acordo com Aziz, a convocação de Mourão vai depender do depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “É um alerta que eu faço. Porque a pessoa mais interessada em comprar vacina tinha que ser o ministro da Saúde. Vai depender, se ele falar a verdade lá por que que ele não ligou, por que ele não procurou a Pfizer”, alertou.
“Porque esse pessoal recebeu essa carta, mas não vejo… O Braga Netto, por exemplo, ele era presidente da comissão lá do [coronavírus]. A única pessoa que não vai ser convocada, que não pode ser convocada, é o presidente da República. O presidente não está sendo investigado, o presidente não vai ser convocado, não vai como testemunha nem como nada. Mas os outros não”, disse.
Aziz afirmou ainda que “não é possível que uma carta chegue a seis pessoas importantes do governo e ninguém deu importância na hora que o mundo estava atrás de vacina. E essa tese de dizer, ‘ah, não, a Pfizer ainda não tinha aprovação na Anvisa’. A da Índia nós já fizemos um acordo e também não tem [aprovação da Anvisa]”.
Sobre os trabalhos da CPI até o momento, Aziz disse que já está provado que o governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) negligenciou inicialmente a compra de vacinas.
“Não houve nenhum interesse na compra da vacina no primeiro momento”. Além disso, Aziz diz ainda “que se apostou muito na imunização de rebanho e kit cloroquina, ivermectina. E hoje mesmo eu recebo uma matéria [sobre] um cara chamado Hélio Angotti Neto, chefe da área de ciência, tecnologia, inovação e insumos, no dia 27 de julho de 2020, defendendo a cloroquina. Esse cara vai ser chamado para depor. Isso é muito sério”.
Para o presidente da CPI, “o governo errou desde o primeiro momento. Não apostou no isolamento, não apostou na máscara, no álcool em gel, na vacina, uma série de coisas que poderiam ter ajudado a salvar pessoas. E continuam apostando na cloroquina”, disse.
Ela considera ainda que a maior parte dos erros cometidos pelo presidente Bolsonaro são consequência do mau aconselhamento, embora ele não possa usar esse fato para se eximir das responsabilidades.
Por outro lado, Aziz aponta que as pessoas que orientaram o chefe do Executivo devem também ser responsabilizadas.
Com informações da Folha


























