Razões da derrota de Antônio

Irmão do ex-governador Eduardo Campos, o advogado Antônio Campos não passou no primeiro teste das urnas na disputa para prefeito de Olinda. Perder faz parte da política. Eduardo também não obteve sucesso eleitoral quando disputou a Prefeitura do Recife em 1992, jogado na fogueira pelo avô, o ex-governador Miguel Arraes, ante o favorito Jarbas Vasconcelos.

Antônio contrariou, entretanto, todos os prognósticos no primeiro turno, que davam a deputada Luciana Santos (PCdoB) como a mais votada, saindo na dianteira, enquanto o Professor Lupércio (SD), eleito prefeito no segundo turno, ficou em segundo lugar. Era de se esperar que continuasse como favorito, mas Lupércio caiu na graça do povo e liderou as pesquisas do início ao fim.

O que faltou ao candidato do PSB? Apoios, naturalmente. Se não tivesse feito uma campanha tão agressiva no primeiro turno, Antônio ampliaria com mais facilidade o seu palanque no segundo turno. Agregou apenas o candidato do PMDB, Ricardo Costa, que teve 2% dos votos. Seu grande trunfo poderia seria a tucana Isabel Urquiza, que por pouco não chega ao segundo turno.

Magoada com os ataques sofridos pela sua família, em direção especialmente à sua mãe, ex-prefeita Jacilda Urquiza, Isabel optou pela neutralidade. Seu envolvimento ao lado de Antônio poderia ter feito o diferencial para sua vitória. O socialista acha, no entanto, que se não tivesse agido com dureza quem teria ido para o segundo turno teria sido Isabel.

O bombardeio e a postura virulenta de Antônio, porém, não funcionaram no segundo turno. A discussão, equivocada, diga-se de passagem, se restringiu ao domicílio de Lupércio, temática que não interessa a ninguém. O candidato do Partido Solidariedade ganhou também na disputa no terreno movediço da contrapropaganda, com destaque para a versão de que o povo teria que escolher o futuro de Olinda entre um pobre, como ele se apresentava, e um barão, como carimbou o adversário.

Antônio deve dar uma entrevista coletiva amanhã para analisar a derrota. Há quem diga que seu alvo de queixas seja a postura omissa, como entendeu, ou pouco presente, para ser mais suave, das principais lideranças do PSB em seu palanque. No primeiro turno, isso ficou mais às claras, porque no segundo o governador Paulo Câmara esteve presente duas vezes. Na verdade, a candidatura de Antônio não foi assimilada no seio da família Campos, que tem como prioridade eleger João Campos, filho de Eduardo, deputado federal em 2018. (Blog Magno Martins)

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