Sigilo levantado por Toffoli prova que Transparência pretendia gerir R$ 2,3 bilhões do erário
ONG buscou controle sobre o montante proveniente do acordo com a J&F

O acordo de leniência firmado entre a empresa J&F e as autoridades em 2017, com a participação direta da Transparência Internacional, estipulou que R$ 2,3 bilhões da multa seriam destinados a “projetos sociais”. Normalmente, os valores desse tipo de acordo são direcionados a órgãos públicos, fundações ou ao Fundo de Direitos Difusos (FDD). No entanto, a ONG almejava um papel ativo na definição e aplicação desses recursos.
A revelação pública dos documentos do processo também corrobora informações divulgadas anteriormente na “operação spoofing”. Diálogos interceptados entre procuradores e membros da Transparência Internacional evidenciam uma série de debates sobre o papel da ONG no contexto dos acordos de leniência. Além disso, conversas entre o diretor-executivo da ONG, Bruno Brandão, e o ex-procurador Deltan Dallagnol apontam para tentativas de utilização da Transparência Internacional como intermediária em diferentes situações, incluindo a gestão de prêmios e a criação de fundos.
A Transparência Internacional, por meio de seus representantes, chegou a solicitar ao então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, um documento formalizando seu interesse na gestão dos recursos. Documentos assinados pelo presidente da ONG, José Ugaz, afirmam o compromisso da organização em participar ativamente da estruturação e monitoramento dos processos relacionados ao acordo de leniência com a J&F.
A quebra do sigilo do processo pelo ministro Dias Toffoli joga luz sobre as negociações e intenções da Transparência Internacional no que diz respeito ao destino dos R$ 2,3 bilhões provenientes do acordo com a J&F. As revelações levantam questões sobre a transparência e a accountability no contexto das negociações entre empresas e autoridades, destacando a importância do escrutínio público e judicial sobre tais processos.


























