
Prestes a completar 55 anos daqui a um mês, Zilu Godoi experimenta pela primeira vez na vida o gosto da liberdade, do voo solo. Acostumada aos bastidores de uma família famosa, é ela que comanda agora a própria rotina e seu destino. Se a vida começa aos 40 conforme o ditado, a dela recomeçou aos 50, quando viu a vida planejada e estável virar de cabeça para baixo sob os holofotes.
Zilu se separou de Zezé Di Camargo depois de 30 anos de casamento, tentou apagar o passado vivendo em Miami, foi exposta em redes sociais, se sentiu sozinha, sem chão, no buraco. A contragosto fez um treinamento de inteligência emocional, recuperou a racionalidade e não perdeu a fé. Se durante quatro anos ela se viu no olho do furacão e sem saber como sair dele, hoje dá conselhos a quem passa pelo mesmo, e está cheia de planos. Entre eles de adotar uma criança.
– Em primeiro lugar, vem minha vocação de mãe, depois o resto. Nasci para cuidar, para criar. E é uma vontade que tenho há muito tempo. Se não conseguir adotar, pelo menos algo com crianças eu vou fazer, porque as amo – revela ela, que anda curtindo os netos, filhos de Wanessa: – Esses dias, o José Marcus me xingou de gorda, de feia, só porque não tinha pão de queijo no lugar em que estávamos.

A vovó Zilu reúne os filhos e netos neste Dia das Mães em São Paulo para um almoço. Algo cada vez mais raro desde que viu a prole criar asas e ela mesma estar diante de um desafio pessoal. Zilu é agora apresentadora de TV. À frente do “Assim somos”, que estreia ainda em maio no E+, ela será uma espécie de mediadora/conselheira de casos que, às vezes, extrapolam a compreensão.
– Hoje, a nossa entrevistada é uma mãe que perdeu um filho de 3 anos e se refez, foi à luta. E não sei que dor é essa, mas deve ser a pior do mundo. E aí você vê que o que passou não tem a menor importância diante de uma história tão triste – conta ela, com lágrimas nos olhos.

Zilu é dessas mulheres que também arregaçam a manga e tem pés bem fincados no chão. Hoje, claro, as mangas são de grife, os sapatos Louboutin… Mas a essência da roça, dessa gente que tem na terra vermelha na alma, está lá. Foi da sua vivência que tirou forças para voltar ao Brasil após um exílio voluntário.
– Em 2011, pedi a separação de corpos e me mandei para Miami. Não aconselho ninguém a fazer isso. Achei que sozinha eu poderia dar conta de tudo, que eu deixaria minha vida aqui no Brasil e seria outra pessoa. Claro que não aconteceu. Fiquei longe de todo mundo. Queria me preservar – descreve ela, que retornou ao Brasil no fim de 2013.
Em maio de 2014, Zezé Di Camargo assumiu o namoro com Graciele Lacerda, e Zilu viu sua vida mais uma vez exposta. Desta vez nas redes sociais.
– Eu precisava enfrentar as coisas de frente, mas óbvio que na época fiquei vulnerável, fragilizada. Dois anos antes, já havia perdido um irmão com apenas 40 anos. Quando entrevistei a Maria da Penha (a da lei), ela me disse: ‘Levei um tiro no peito. Você levou um tiro na alma’ – avalia Zilu, que achou que o casamento era para sempre: – Mulher casa achando que nunca vai se separar. Mas aprendi que nada é para sempre. O amor que tenho hoje pelo Zezé é de amigo, de irmão e sobretudo porque ele me deu as coisas mais precisosas da minha vida que são os meus filhos.

O curar dessa ferida aberta e mostrada a todos foi conquistada com a ajuda de Rodrigo Fonseca, que ministra o Treinamento Lotus, algo bem próximo da neurolinguística e autoajuda. Zilu foi reticente em fazer. Hoje é até voluntária.
– O treinamento me fez enxergar coisas que eu tinha dentro de mim e não expulsava. Assim como enxerguei coisas maravilhosas que estavam adormecidas – observa.
Uma destas descobertas é a de que pode despertar o olhar do outro. Zilu garante que está solteira, mas não descarta viver uma nova paixão. O namorico com o empresário Marcos Lúcio não foi para a frente.
– Nunca foi namoro, estávamos nos conhecendo. Não posso sair para jantar hoje quatro vezes com o mesmo amigo que já estou namorando. Mas sei que uma hora vai acontecer. Só não tenho pressa e não quero qualquer pessoa que se aproxime de mim – explica.

O primeiro beijo na boca que deu após 30 anos com o mesmo homem teve um sabor diferente.
– Você passa muito tempo com alguém e nutre uma expectativa. O segredo é não tentar ser quem você não é, tentar performances. Tem que deixar fluir. Mas vou dizer pra você que não foi ruim, não, viu? – diverte-se ela, que é muito paquerada: – Me sinto muito desejada hoje em dia.
.jp.jpg)
Zilu está de mudança para o Rio de Janeiro, arrumou tempo para fazer dança de salão, se cuida com exercícios e ioga há dois anos e sempre que pode está no dermatologista. A família vive muito. Os bisavós morreram depois dos cem anos. Plásticas já fizeram parte de seu passado, mas há dez anos se cuida com medicina ortomolecular:
– Sempre quero melhorar, aprender, fazer um pouco de cada coisa como boa geminiana. Mas acredito, sim, que estou na melhor fase da minha vida.



























