Com comércio fechado em Juazeiro, moradores atravessam ponte para fazer compras em Petrolina

Por TV Bahia

Juazeiro e Petrolina são cidades vizinhas mas lidam de forma bem diferente com a pandemia

Juazeiro e Petrolina são cidades vizinhas mas lidam de forma bem diferente com a pandemia

Com o comércio fechado em Juazeiro, no norte da Bahia, os moradores estão atravessando a ponte que liga o município a Petrolina (PE), para trabalhar ou fazer compras, já que as lojas da cidade estão funcionando normalmente.

O comércio de Juazeiro foi fechado pela primeira vez no dia 24 de março. Depois disso, foi reaberto em 1º de junho, quando a cidade tinha 79 casos confirmados e cinco mortes. Após duas semanas, a prefeitura voltou atrás e as lojas foram fechadas novamente no dia 22 de junho, quando a cidade alcançou 381 casos e 15 óbitos.

O aumento de casos de Covid-19 durante esse período é de 400%. Atualmente, são 1.220 casos e 35 mortes. Por causa do cenário preocupante, a Secretaria de Saúde intensificou as ações de enfrentamento à doença.

“Temos feito ações específicas do Vigilância Covid nos bairros onde a gente está com maior número de casos. Fazer com que a gente tenha o maior número de diagnósticos, que a gente tenha menos pessoas circulando contaminadas, para que a gente tenha o menor número de contaminados possível”, explica a secretária de saúde, Fabíola Ribeiro.

Comércio de Petrolina funciona normalmente — Foto: TV Bahia

Comércio de Petrolina funciona normalmente — Foto: TV Bahia

Diariamente, os moradores de Juazeiro e Petrolina atravessam a ponte para fazer diversas atividades. A gerente Gabriane Bento, de uma loja em Petrolina, contou que as vendas aumentaram, porque muitos clientes são de Juazeiro.

“Nós conseguimos identificar que é grande o número de pessoas de Juazeiro que vem realizar compras aqui na loja de Petrolina. Então houve um crescimento”, conta.

O comércio em Petrolina também reabriu no dia 1º de junho, depois de quase dois meses fechado. Em 31 de maio, a cidade tinha 253 casos confirmados e oito mortes. Com duas semanas de comércio aberto, os casos subiram para 583 confirmados e 22 mortes.

Atualmente, são 1.382 casos confirmados e 33 mortes em Petrolina. Mesmo assim, a prefeitura decidiu manter a reabertura do comércio local. O prefeito alega que a cidade tem uma taxa de letalidade baixa (3%) em comparação a cidades do mesmo porte em Pernambuco.

Enquanto os lojistas mantêm as vendas em Petrolina, os comerciantes em Juazeiro contabilizam prejuízos. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), foram mais de 2.200 demissões de trabalhadores do comércio.

“No período em que o comércio esteve aberto, durante uns 20 dias, houve um crescimento no número de casos em torno de 300 casos. Em média, cresceu 300 casos. Com o fechamento do comércio até o dia 8 de julho, a gente teve o dobro, 666 casos. Mais uma vez, a gente está tirando essa conta do comércio, o comércio não é responsável pelo crescimento desse vírus”, avalia o presidente da CDL, Murilo Matos.

Na rede de saúde pública que integra Pernambuco e Bahia, são 56 leitos de UTI. Quarenta deles estão em Petrolina. A cidade possui, ainda, outros 18 na rede privada. A taxa média de ocupação é de 65%. Em Juazeiro, são 15 leitos de UTI. Nas últimas semanas, a taxa de ocupação passou de 90% nos leitos de UTI.

“A gestão municipal vai estar fazendo a ampliação de leitos intermediários no hospital de campanha, ao lado da UPA, para que a gente consiga estabilizar a doença, para que a gente possa estar voltando a ter o funcionamento do comércio”, diz Fabíola Ribeiro.

O prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, anunciou que, a partir de segunda-feira (13), só vai permitir o funcionamento de comércio essencial durante 14 dias.

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