Doenças infecciosas há tempos controladas reaparecem no País

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ExamesFoto: Divulgação

A falta de atenção às vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI), oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), viagens para lugares onde surtos estão em alta ou mesmo o fluxo migratório podem devolver ao Brasil maior incidência de doenças há tempos controladas no País.

Em dezembro de 2018, por exemplo, um bebê com pouco mais de três meses morreu vítima de coqueluche, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, e São Paulo registrou o primeiro caso de sarampo desde 2015.

Segundo o gerente geral de Controle de Doenças Transmissíveis, George Dimech, a coqueluche nunca foi erradicada e apresenta um comportamento cíclico. “A cada quatro ou cinco anos, a coqueluche volta a ter uma magnitude maior de casos. Houve em 2014 e já era esperado uma reincidência nos casos no começo do ano”, esclarece.

Até este mês, Pernambuco registrou 401 suspeitas de coqueluche, dos quais 180 foram confirmados. Estes números representam um aumento de 206% de notificações e 282% nas confirmações, se comparados aos dados de 2018 – quando, neste mesmo período, houve 131 casos notificados e apenas 47 confirmações. Os dados são da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES).

Tendo como principal alvo crianças com até cinco anos, a coqueluche é considerada doença rara e pode levar à morte. As campanhas de vacinação têm início ainda na gestação e podem reduzir consideravelmente o risco da infecção do bebê. No entanto, a proteção só está assegurada aos seis meses de idade. Por isso, são necessários reforços aos 2, 4 e 6 meses de vida. “Os bebês não são como nós. Eles têm um sistema imunológico em formação. A vacina é uma provocação para esse sistema e só é aceita quando ele amadurece”, explica.

De acordo com artigo publicado por pesquisadores do Departamento de Epidemiologia da USP na Revista de Saúde Pública, o sarampo foi contido em praticamente todo o Brasil em 2001. Entre os anos 1960 e 1970, era considerado a principal causa de óbito entre crianças de 1 a 4 anos. A redução e erradicação só foram possíveis com a consolidação do PNI, que foi criado em 1973.

Em Pernambuco, a maior incidência se deu em 1999, com 240 ocorrências. Só 14 anos depois houve o primeiro surto, com 226 casos e uma morte. Ainda de acordo com os dados da SES, em 2012, houve o registro do primeiro caso importado no Estado. Já em 2018, foram confirmados quatro casos relacionados a um paciente com histórico de viagem para Manaus, no estado do Amazonas, onde o vírus circula.

A malária é outra doença infecciosa que reapareceu. Neste mês, a Paraíba divulgou o quarto caso diagnosticado neste ano. Questionado sobre o riscos em Pernambuco, George explica: “Não é impossível, mas improvável. Existe o mosquito Anopheles (transmissor) no Estado, mas é necessário o contato do inseto com alguém que tenha contraído a bactéria”, aponta.

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