Lilia Schwartz, Marcos Nobre e Daniela Campello advertem: Bolsonaro está “em contagem regressiva para o golpe”

De acordo com o filósofo Marcos Nobre, professor da Unicamp, “o que o Bolsonaro fez no 7 de setembro foi ligar a contagem regressiva do golpe”. A historiadora Lilia Schwartz reforça que Bolsonaro “está dando golpe todo dia”. A cientista política Daniela Campello diz que ele não tem forças para “criar um governo autoritário estável, minimamente estável”

Historiadora Lilia Schwartz, filósofo Marcos Nobre e a cientista política Daniela Campello mais um ato contra Jair Bolsonaro ao fundo
Historiadora Lilia Schwartz, filósofo Marcos Nobre e a cientista política Daniela Campello mais um ato contra Jair Bolsonaro ao fundo (Foto: Divulgação | Roberto Parizotti)

 

O filósofo Marcos Nobre, cientista social, professor da Unicamp, avalia que Jair Bolsonaro não vê a eleição do ano de 2022 como centro do seu projeto de poder porque não é um democrata. De acordo com o analista, Bolsonaro abriu a contagem regressiva para um possível golpe quando fez novos discursos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nos atos do 7 de setembro.

“Vamos ter a clareza de que é uma maratona, não é corrida de 100 metros rasos. O que o Bolsonaro fez no 7 de setembro foi ligar a contagem regressiva do golpe, que ele tem de dar até o final do próximo ano”, diz Nobre. As entrevistas foram concedidas ao portal Uol.

“A gente não pode contar que alguém que não é um democrata faça raciocínios meramente eleitorais. Do outro lado, o campo democrático só faz raciocínios eleitorais e, por isso, está perdendo o jogo. O campo democrático está jogando amarelinha, enquanto Bolsonaro está construindo um octógono de MMA. Estamos jogando dois jogos diferentes”, continua..

O estudioso destaca que as eleições de 2022 serão o oposto da de 2018. “Em 2018 não tinha um presidente no exercício da função candidato à reeleição. Isso organiza a eleição sempre. Por isso, em 2018, era a eleição para um outsider. Agora, é ao contrário, você tem um incumbente à reeleição, esse incumbente tem uma base social muito fiel e ele organiza a eleição. Ou seja, todo mundo tem que ser contra ele”, complementa.

A historiadora e antropóloga Lilia Schwartz reforça que Bolsonaro “está dando golpe todo dia”. “Desde que ele entrou, ele continua fazendo palanque. Ele já está aparelhando as instituições e já trabalha com um grupo que forma as suas próprias impressões”, acrescenta.

A cientista política Daniela Campello diz que Bolsonaro tenta a todo o momento dar um golpe no país. Mas a analista não acredita no sucesso dele. “Não existe o dia 2 do golpe. Ele não consegue criar um governo autoritário estável, minimamente estável. Mas ele tem a capacidade de criar caos por bastante tempo, e esse é o pavor”, diz ela, professora associada da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ebape).

Eeições presidenciais

De acordo com o analista, nenhum pré-candidato ainda conseguiu se colocar como um nome consolidado para a chamada ‘terceira via’. “Não existe coordenação na terceira via”, avalia Daniela Campello. “Existe uma série de candidatos que não se falam. Mesmo que houvesse uma intenção de eleitores do Bolsonaro de migrar para alguém que vença Lula, o fato de ter uma oferta grande de nomes dificulta a terceira via”.

Para Lilia Schwartz, a existência de várias pré-candidaturas da terceira via, que para ela representa “muito cacique para pouco índio”.

A historiadora afirma que o ex-presidente Lula fará frente ao atual presidente. “Não teremos uma frente sem Lula, assim como o PT não terá uma frente possível se não contar com a assim chamada terceira via”.

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