Polícia encontra restos mortais de ajudante de cozinha desaparecida

Segundo a investigação, a mulher foi morta após ser confundida como informante da PM. Antes de ser assassinada, ela foi estuprada por cinco criminosos, diz a polícia

Por RAFAEL NASCIMENTO

 A ajudante de cozinha Lucélia Venâncio de Almeida, de 33 anos, pode ter sido morta por traficantes no alto do Morro Santa Maria, na Praça Seca
A ajudante de cozinha Lucélia Venâncio de Almeida, de 33 anos, pode ter sido morta por traficantes no alto do Morro Santa Maria, na Praça Seca – Divulgação

Rio – A Polícia Civil encontrou no final da manhã desta terça-feira os restos mortais da ajudante de cozinha Lucélia Venâncio de Almeida, de 33 anos, desaparecida desde o último dia 19 de janeiro. A mulher sumiu na comunidade Santa Maria, na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, após ser sequestrada por bandidos que atuam no morro. Ela teria sido confundida como informante da Polícia Militar. As roupas e os restos mortais da vítima estavam em uma localidade conhecida como Quintal do Bira, no alto da comunidade, e foram reconhecidos pelo marido da vítima. De acordo com a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), antes de ser assassinada, Lucélia foi amarrada, espancada e estuprada por pelo menos cinco traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV).

Nesta manhã, a DDPA e a Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) fizeram uma operação na comunidade para tentar localizar os restos mortais de Lucélia e de outro homem. A Polícia Civil tinha informações de que bandidos da localidade enterram seus desafetos em uma localidade da favela usada como cemitério clandestino. Aos chegarem no local, conhecido como Quintal do Bira, policiais encontraram apenas a ossada da mulher. “O marido reconheceu a esposa pelas roupas que ela usava”, disse a delegada Ellen Souto, titular da DDPA, ao DIA.

De acordo com a DDPA, a mulher foi torturada e morta pelo tribunal do tráfico, no último dia 19. Segundo os investigadores, a ajudante de cozinha sofreu por horas nas mãos dos traficantes. Antes de ser assassinada, ela foi estuprada, segundo os investigadores, por Rangel Freitas Barcellos, conhecido como Gordinho ou Malvado; Gustavo Afonso de Oliveira, o Miranda; Rafael Henrique Barcellos Salles, o Zóio; e dois outros bandidos identificados até agora como Pará e Baiano. A ordem para a morte da mulher partiu de Rangel.

A especializada chegou ao local, na manhã desta terça, após informações de familiares da mulher e de testemunhas. “O êxito da operação se deu graças à colaboração da família e da comunidade, que informaram onde estavam os restos mortais da desaparecida. Isso é importante para que a DDPA realize outras operações em cemitérios clandestinos dominados pelo tráfico ou pela milícia para que outros restos mortais sejam encontrados”, disse a delegada.

O local foi periciado e os restos mortais de Lucélia foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

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Polícia Civil encontra restos mortais de Lucélia Venâncio na Zona Oeste. A mulher estava desaparecida desde o último dia 19 após ser confundida com informante da PM.

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Entenda o caso

No final de 2018, Lucélia Venâncio de Almeida, o marido e os cinco filhos foram expulsos da Santa Maria após traficantes tomarem a favela depois que uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco-IE) prendeu milicianos, que comandavam a região.

Segundo informações, os bandidos acharam que o marido de Lucélia fazia parte do grupo paramilitar e ordenou que eles deixassem a comunidade. Dias depois, os traficantes permitiram que a ajudante de cozinha voltasse a morar na comunidade apenas com os filhos.

No último dia 16, a PM fez uma operação na favela e usou a casa de Lucélia como abrigo. Na ação, três bandidos ficaram feridos. Com medo, ela deixou a casa com os filhos e foi morar com parentes.

No entanto, três dias depois, ela voltou para alimentar seus animais e teria sido pega por Rangel e outro criminoso identificado apenas como Pará, em represália pela ação da PM na casa dela. Testemunhas contam que a viram subindo e sendo pega por Gordinho e Pará. Elas ainda disseram que Lucélia foi levada para um barraco onde foi torturada, morta e enterrada. A DDPA concluiu que a vítima não é informante da PM.

Quem tiver qualquer informação que leve ao paradeiro do traficante Rangel Freitas Barcellos, o Gordinho, pode ligar para o Disque-Denúncia através do número (21) 2253-1177. O anonimato é garantido.

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