Vereador faz críticas durante reunião com ACM Neto e fica sem microfone

 Raul Monteiro

O clima pesou na reunião em que o prefeito ACM Neto (DEM) apresentou o planejamento estratégico para a cidade a vereadores da base aliada, na última sexta-feira. Quando a palavra foi passada aos vereadores, José Trindade, do PSL, apesar de ressaltar que pertencia à bancada governista, fez críticas ao que considerou equívocos na relação entre o executivo e a Câmara Municipal e, como passou do tempo máximo de três minutos para os pronunciamentos, acabou tendo sua palavra cortada pelo prefeito.

O microfone foi tomado das mãos do vereador pelo cerimonial da Prefeitura depois que ele manifestou solidariedade ao colega Geraldo Jr., do PTN, que protagonizou uma forte discussão com o chefe de gabinete do prefeito, João Roma, na semana passada. Trindade chamou Roma de “insignificante, arrogante e prepotente” e foi aparteado por Neto, que defendeu o auxiliar e interrompeu a fala do vereador, dando o assunto por encerrado e pedindo que os demais não se referissem ao mesmo tema.

Aos brados, Trindade continuou o discurso e disse que o episódio com Geraldo Jr. era um desrespeito a toda a Câmara. Depois, retirou-se do salão no Hotel em que o encontro acontecia, no que foi seguido por vários colegas, entre os quais o presidente da Câmara, Paulo Câmera (PSDB), só retornando depois de ser convencido e de esbravejar que não se submetia a “ditaduras”.

A irritação do vereador espantou secretários que estavam no corredor e haviam saído antes do recinto em que a reunião acontecia, como Guilherme Bellintani (Turismo) e Paulo Fontana (Infraestrutura). Antes de atacar Roma, Trindade já havia criticado o que chamou de “alijamento” da Câmara Municipal na discussão do PDDU e da LOUS, que a Prefeitura tratou, segundo ele, apenas com o Ministério Público.

A crítica evoluiu também para o fato de, segundo ele, a Câmara ter sido excluída pela Prefeitura da discussão sobre a nova modelagem para a concessão do transporte coletivo e ao que o vereador classificou como declarações infelizes ou acusações oficiais que não se provaram.

O vereador também lamentou a situação dos líderes do governo na Câmara, que “não anotam nem as demandas dos vereadores para tentar resolvê-las junto ao executivo”, segundo relatos de pelo menos dois colegas seus. Segundo eles, Trindade ainda atacou “a má vontade” de alguns secretários e diretores de empresas no atendimento aos colegas e chegou a denunciar a existência de um suposto candidato a deputado que atenderia no Palácio Thomé de Souza.

O estilo incisivo de Trindade deixou secretários surpresos, mas parecia, através de expressões e sinais de positivo, ser estimulado por vários vereadores. Ao fazer uso do microfone, Geraldo Jr. pediu desculpas ao prefeito, mas disse que também não poderia deixar de se referir ao episódio do desentendimento com Roma e agradecer a Trindade pelo discurso.

Neste momento, vereadores viram pelo menos três secretários sinalizarem sutilmente com a cabeça que aprovavam o discurso de Geraldo Jr., num sinal de que Roma sofreria restrições também na equipe do prefeito. Procurado pela reportagem, Trindade minimizou o episodio. “A democracia no país ainda é muito recente e algumas pessoas entendem que exercer o contraditório é ser adversário. Sou da base aliada, mas não sou subserviente ao governo”, declarou, concluindo que “prefiro externar minhas opiniões, a ficar calado, demonstrar uma coisa, e agir de forma contrária”. (Tribuna)

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