
A medicina perdeu uma profissional, mas a música baiana ganhou uma voz grave e cheia de opinião. Em apenas um ano, Thays Reis chegou ao seleto corredor de cantoras dos circuitos bombados do carnaval de Salvador. Vocalista da banda Vingadora, a moça, de apenas 20 anos, e comparada a Anitta, quer mostrar ao resto do país a que veio. “Vingadora é um grito feminista dentro do universo da música baiana, do arrocha, onde só tinha homem. É para quebrar o preconceito e mostrar que a mulher pode, sim, chegar onde quiser”, discursa ela, que, apesar da comparação, não se espelha na funkeira carioca: “Acho que por sermos morenas, novinhas, pela sensualidade no palco. Mas encerra aí”.
Thays começou a cantar com 13 anos. Natural de Ilhéus, foi em Itabuna, onde passou a infância, que ganhou seu primeiro violão e aventou a possibilidade de vir a ser uma cantora. “Eu gostava de Paula Fernandes. Todo mundo acha que violão combina com sertanejo”, recorda ela, que, mais tarde, passou a se encantar pelo axé: “Aos 16 anos, me juntei a uma banda de forró e logo depois comecei a cantar arrochadeira”.

Nessa junção do pagode baiano e o arrocha, Thays saiu ganhando ao colocar um violinista na banda e a compôr músicas que grudam, como “A minha mãe deixa” e “Paredão metralhadora”, essa última candidata a hit do carnaval e já com cerca de 500 mil visualizações do clipe no Youtube. “Todo mundo já está cantando. Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Pisirico… É uma emoção danada ver que a minha música caiu na boca do povo”, emociona-se.
Não só na boca. Com um refrão que reproduz de forma onomatopeica (como toda música baiana) o barulho dos tiros de uma metralhadora — tratratra —, a música caiu no gosto dos marombados. “Descobriram que dançar a coreografia gasta 100 calorias, e agora adotaram a música nas academias de Salvador. Está todo mundo emagrecendo”, empolga-se Thays, que não faz dieta: “Não consigo fechar a boca”.

Com discurso pronto, a morena faz mistério sobre o estado civil. “Estou solteira, com o coração palpitando”, diz misteriosa, frisando que é por um homem: “Mas é bem difícil entender meus horários e meu trabalho”. Quanto ao assédio no palco, já que sensualidade é o que não falta, Thays sabe se esquivar: “Tem uns engraçadinhos, que chamam de gostosa. Faz parte. Deixo claro que ali está a artista. Mas nunca saí rasgada de um show”, observa.
Fazendo 22 shows por mês e estreando no circuito Barra-Ondina na sexta-feira de carnaval, Thays não sabe dizer ao certo quanto ganha: “É um assunto que prefiro deixar em segredo. Mas digamos que estou bem, só não estou rica”.






























