Reação ao STF. Em Pernambuco, OAB critica decisão que autoriza prisão após julgamento em 2ª instância

Ronnie Duarte

O presidente da OAB-PE, Ronnie Preuss Duarte, declarou-se perplexo e preocupado com os efeitos práticos potenciais da medida do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando que pessoas condenadas pela Justiça possam começar a cumprir as penas a partir de uma decisão condenatória confirmada pelos tribunais de segunda instância, sem a necessidade do esgotamento de todos os recursos.

“Uma decisão preocupante, especialmente para Pernambuco, onde o sistema prisional já está sobrecarregado ao extremo”, destacou o presidente.

A mudança de jurisprudência aconteceu nesta quarta-feira, dia 17.

Na quinta-feira, dia 18, o presidente Ronnie Duarte recebeu na sede da Ordem, representantes da União dos Advogados Criminalistas (UNACRIM), que entregaram uma Nota de Repúdio à decisão do STF.

O texto destaca que a Suprema Corte ignorou que a existência de recursos decorre da possibilidade de erro humano nos provimentos jurisdicionais que, ainda segundo a nota, não são corriqueiros.

Da UNACRIM, estiveram presentes no encontro o presidente Carlos Barros; o vice, Gustavo Rocha; o diretor financeiro adjunto, Carlos Sá; e o secretário geral, Yuri Herculano. Luciana Brasileiro, secretária geral adjunta da OAB-PE, também esteve na reunião.

Ronnie Duarte também chamou a atenção para os possíveis desdobramentos da decisão.

“O STF está criando um passivo para o Estado ao permitir que um cidadão ainda não condenado possa ser preso”, afirmou.

“Enquanto houver direito a recurso, o princípio constitucional da presunção de inocência não permite a prisão”, concluiu.

O Conselho Federal (CFOAB) também divulgou nota assinada pela diretoria e por todo o Colégio de Presidentes Seccionais. No texto, o CFOAB afirma respeitar a decisão do STF, mas entende que a execução provisória da pena é preocupante em razão do postulado constitucional e da natureza da decisão executada, uma vez que eventualmente reformada, produzirá danos irreparáveis na vida das pessoas que forem encarceradas injustamente. (Por Jamildo Melo)

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