Ministro se enrola em depoimento
Tiago recebeu R$1 milhão de Ricardo Pessoa, segundo o empreiteiro confessou em delação premiada. Pessoa disse haver “entendido” que o valor seria destinado a Carreiro, na época relator de processo sobre a usina nuclear de Angra 3, obra de interesse da UTC.
Raimundo Carreiro depôs na PF em 26 de outubro, segundo informação do jornal Folha de S. Paulo, quando tentou se distanciar de Tiago Cedraz, afirmando que esteve com o advogado apenas por acaso, em dois casamentos, e que nunca foi a seu gabinete ou lhe pediu uma audiência. Disse também que Cedraz nunca esteve com um de seus assessores do Tribunal de Contas. Mas não contou que seu filho, Felipe, foi advogado no escritório de Cedraz pelo menos entre janeiro e agosto de 2009.
O nome de Felipe aparece vinculado ao de Cedraz no acompanhamento processual em dez ações no Tribunal Superior Eleitoral e um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). A investigação é sobre o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP).
Felipe Carreiro negou que tenha atuado nesses processos no TSE e no STJ e disse que tem pedido a diversos tribunais que excluam seu nome da movimentação processual dos sites dos tribunais na internet. Segundo ele, o erro acontece porque o escritório usava uma procuração padrão que dava poderes a diversos advogados de representar o cliente nos autos, mas não significa que eles tenham de fato atuado nos processos.
Felipe afirmou que, na época em que trabalhava no escritório de Cedraz, nunca atuou em casos que tramitavam nos tribunais superiores, mas somente na defesa da companha telefônica TIM em processos que tramitavam no Procon do Distrito Federal.
Felipe disse que decidiu deixar o escritório de Cedraz por razões éticas.
“Eu fui descobrir que ele [Tiago] atuava no Tribunal de Contas [da União]. E aí eu falei: ‘Olha, por uma questão ética, e para não ficar expondo meu pai, eu não quero mais trabalhar aqui’. E saí do escritório na época”, disse Felipe, que passou a trabalhar na CEB, a companhia energética do DF.
Ele disse ainda que sua decisão de deixar o escritório de Cedraz foi discutida com seu pai, que concordou com a decisão. “Podem especular aí, dizendo que estamos fazendo besteira”, teria dito ao pai na ocasião. De acordo com Felipe, ele passou a trabalhar no escritório de advocacia de Tiago Cedraz após o convite de um amigo em comum, sem interferência do pai.

























