Ideologia de ocasião: Comunismo ‘Fora Temer’ não larga o osso do PMDB em Alagoas
Enquanto o Partido dos Trabalhadores de Alagoas ruma para a oficialização do racha político com o governador Renan Filho (PMDB), o PCdoB estadual não vê motivos para reagir da mesma forma e romper com o fisiologismo que vai de encontro ao discurso contra o protagonismo do PMDB na derrubada da ex-presidente Dilma, denunciado como “golpe” por petistas e comunistas desde o ano passado.A adesão do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) à ascensão do peemedebista Michel Temer é o principal motivo alegado pelo presidente do PT de Alagoas, o deputado federal Paulão, para romper com Renan Filho. Mas a presidente do PCdoB de Alagoas Cláudia Petuba considera uma injustiça a posição do PT e afirma que não há motivos para se tornar inimiga dos Renans, nem do PMDB alagoano, que a empregou como secretária estadual de Esporte em 2015, com salário bruto de R$ 18,2 mil.
A militante do Fora Temer foi provocada pelo Diário do Poder a responder se era coerente com o novo momento político a permanência do PCdoB no governo de um partido que contribuiu efetivamente para o evento político que a ela e outros comunistas condenaram. Petuba ponderou sobre a tese do “golpismo” e pediu a compreensão do PT, para não jogar os aliados históricos Renan Filho e seu pai na vala comum.
“Até o momento não detectamos motivos para rompimento local. Alianças políticas não significam concordância total e irrestrita em todos os aspectos, especialmente quando se compõe um governo, a aliança ocorre porque se encontram pontos de unidade importantes. Esperamos que os companheiros do PT compreendam que é importante distinguir quem conspirou contra a democracia e promoveu o golpe, das demais forças que votaram a favor na Câmara Federal e no Senado. Não podemos colocar todos na vala comum”, defendeu Petuba.
Teme expurgoA jovem presidente do PCdoB de Alagoas, quem marcou presença em diversos atos contra a queda de Dilma dentro e fora e seu Estado, explicou ainda que o fato de as bases da aliança local com o PMDB estarem preservadas torna injusta a iniciativa do PT de entregar os cargos no Governo de Alagoas.
“Isto não será uma decisão justa com o Governador Renan Filho. Mas respeitamos o posicionamento dos companheiros do PT e demais partidos aliados do PCdoB. O apoio do PCdoB ao PMDB e Renan Filho, ocorre pelo programa de governo apresentado e eleito nas urnas, com proposta desenvolvimentista para superação das desigualdades sociais e econômicas, que está saindo do papel e se transformando em realidade”, afirmou.
Petuba falou que o novo momento da realidade do país está sendo analisado por todos os partidos, mas as mudanças no plano federal não correspondem automaticamente a posicionamentos idênticos no nível estadual. E após argumentar sobre a falta de clareza sobre a perspectiva para o cenário pós-impeachment, alertou um dos objetivos das forças que promoveram o “golpe” é o isolar e expurgar a esquerda da política.
“Não consideramos todos que apoiaram esse processo como inimigos. Precisamos pensar no país, na nação. Na política não há espaço para ressentimentos”, concluiu a comunista Petuba, ao ressaltar que não concorda com o retorno à agenda das políticas de cunho neoliberal.
Apesar do contorcionismo retórico da comunista alagoana, resta claro que agenda defendida pelo PCdoB é a antítese daquela planejada e já em execução pelo PMDB de Temer e dos Renans. Mas a opção de Cláudia Petuba é seguir sendo liderada pelo grupo político que ela chama de “golpista” em Alagoas, de forma bastante conveniente, com o salário polpudo pelo cargo de secretária.
Sem problemas com o condecendente PCdoB, o governador Renan Filho aguarda a definição do PT para avaliar o novo cenário de seu governo.





























