Computadores desligados, salas escuras, bebedouros e banheiros sem água… A primeira impressão de quem entra na Divisão de Homicídios de Niterói é que o prédio está sendo desativado. Mas, no breu da delegacia, agentes estão se esforçando para não pararem com as investigações ainda em curso. A falta de energia e água no local se deve a um furto de fiação, ocorrido no último dia 6. Na ocasião, dois homens foram presos em flagrante no momento em que roubavam a caixa de energia da especializada. A Ampla chegou a analisar o problema, mas disse que a responsabilidade pelo conserto é do Estado.
— É uma situação muito ruim. O tempo começou a esquentar, e estamos tendo que trabalhar na penumbra e sem ar-condicionado ou ventilador. Na parte da tarde, as salas ficam abafadas demais — disse um policial que, assim como os outros agentes ouvidos pela reportagem, preferiu não se identificar com medo de represálias.

Outro policial contou ainda que, no último fim de semana, a carceragem da especializada estava com seis presos, e eles não tinham água para tomar banho e limpar o local onde fazem suas necessidades fisiológicas.
— Como estamos com luz em apenas algumas salas, não conseguimos ligar a bomba para encher a caixa d’água do prédio. O problema é que são dezenas de pessoas trabalhando no mesmo ambiente. Essa falta de energia e de água está deixando o nosso trabalho inviável — comentou mais um agente: — Quando alguém quer ir ao banheiro, tem que ir ao mercado, porque aqui está impossível.
Como se a precariedade estrutural da DH não bastasse, os policiais também denunciam que só três viaturas estão funcionando.
— Isso tem atrapalhado muito o trabalho das equipes de investigação. O Estado precisa acordar! Não dá para cobrar um bom serviço assim — queixou-se um servidor.

Crise do Estado dificulta reparo
O delegado chefe da Divisão de Homicídios de Niterói, Fábio Barucke, reconheceu que a falta de luz está atrapalhando o trabalho dos investigadores, mas afirmou que uma empresa deve fazer o conserto da rede elétrica — o preço é estimado em R$ 4 mil — até o fim desta semana:
— Realmente, estamos passando por esse problema causado por dois criminosos que já foram presos. Entrei em contato com a Prefeitura de Niterói, e eles disseram que vão custear o trabalho de reparo da fiação do prédio.
Sobre o problema das viaturas paradas, Barucke disse que já solicitou ao Estado a recolocação dos carros nas ruas:
— Nós tínhamos um setor de manutenção, mas, com a crise financeira, tivemos que fechá-lo.

Em nota, a Ampla esclareceu que a falta de luz na DH é um problema na instalação interna da delegacia “e, portanto, o restabelecimento do serviço não depende da companhia”. A distribuidora acrescenta que é preciso que a especializada faça as intervenções necessárias na rede da unidade, para que o fornecimento volte ao normal.
Já a Prefeitura de Niterói — que não tem responsabilidade pelo prédio — confirmou a afirmação do delegado de que vai custear o conserto da rede elétrica da DH, mas não informou o prazo.



























