Servidores grevistas denunciam sucateamento da Educação em Petrolina

Piso rachado na escola do Roçado

Da Redação

A queda de braço entre os servidores e a prefeitura de Petrolina, tem feito com que o Sindicato da categoria escancare as deficiências dos serviços públicos municipais. Em sua peregrinação por melhorias para os trabalhadores e consequentemente melhoria nos serviços prestados pelo poder público municipal, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindsemp) tem jogado para a população e a imprensa as dificuldades encontradas na educação.

Infiltrações no telhado da escola do Roçado

A educação foi o ‘carro-chefe’ da campanha eleitoral de Lóssio em sua reeleição. O projeto Nova Semente, é motivo de orgulho do prefeito que tem viajado a outros municípios brasileiros dando exemplo de gestão educacional. Para o servidores, existe um outro lado que precisa ser mostrado.

Estrutura do telhado da escola do Roçado prestes a cair

A representante dos trabalhadores grevistas, presidente do sindicato, Léia Araújo, conta que pais e professores estão preocupados. “Existem escolas como teto para desabar na cabeça dos alunos, as linhas do telhado corroídas por cupins. Falta até carteiras em algumas escolas, os alunos estão no chão. Tem transporte escolar com capacidade de 55 alunos, rodando com 110 crianças e pneus carecas”. Ela revela que tem visitado as escolas do interior do município e lá a situação é bem pior. “Nossa luta é por uma questão humana. Não estamos coniventes com essa situação, nossos estudantes correm risco”.

Banheiros precários na escola do João de Deus

A líder sindical conta que durante as negociações para o fim da greve o executivo fez uma proposta danosa aos servidores em especial para a educação. “Uma proposta que retira os direitos dos trabalhadores, não adéqua as gratificações e em relação a educação gera prejuízos de grandes proporções”. Léia afirma que o foco principal da pauta de reivindicação além do reajuste salarial e das gratificações é a solicitação de melhores condições de trabalho.

Bebedouro e caixa d’água da escola do João de Deus

Ela condena a postura da administração municipal, que tem feito uma série de críticas a outros órgãos públicos para segundo ela justificar as falhas de sua gestão. “Tudo de ruim é a Compesa e a Celpe, ele (Lóssio) empurra os problemas. Quando a postura do administrador tem que ser a de resolver de ter um bom relacionamento com esses órgãos para solucionar os problemas e não ficar só procurando culpados”.

Banheiro da escola de Caruá

Sobre a nota da assessoria da prefeitura, que cobra a manutenção de 50% dos serviços sob pena de demissão de funcionários ela rebate. “Perseguição política é crime. O direito de reivindicar é constitucional. Garantimos 50% dos serviços e temos certeza que esses 50% está sendo cumprido. O sindicato cumpre com a palavra, ao contrário do poder executivo, que fez uma carta de compromisso e não cumpriu”, finalizou.

Banheiro das crianças na escola do João de Deus

Em nota enviada para a imprensa, o Secretário Municipal de Educação, Coronel Heitor Bezerra Leite, fez os seguintes esclarecimentos. “Nós, na condição de educadores, trabalhamos com a singular prática da construção no nobre ofício de ensinar, a qual nos impõe a qualificada arte de dialogar com respeito, questionar com base em fundamentos, ouvir sem preconceitos e, finalmente, concluir sem desconsiderar vetores, personagens e contingências. Voltar às aulas já, não encerrará, em absoluto, as negociações, o diálogo e a luta pelas condições desejáveis, que me permito repetir, é interesse de todos nós”.

Ventilador preso por cordão na escola do Roçado

“É chegada a hora de, efetivamente, olharmos para o futuro. A educação é responsabilidade de todos! Temos de equacionar recursos que nos permitam melhores condições de saúde, segurança e investimentos em infraestrutura. Isso tudo sem descuidar de nossas escolas e dos salários dos professores, nossa prioridade maior. Esses desafios impõem a necessidade de valores, criatividade e inteligência, pressupostos intimamente relacionados com a prática escolar, que não pode estar fechada, nem aos alunos, nem às discussões que levarão inexoravelmente às soluções”, acrescentou.

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