MPPE diz que prisão de suspeitos de matar médico não era necessária

Por Raphael Guerra

Esposa e filho mais velho são suspeitos de matar médico em Aldeia. Foto: TV Jornal/Reprodução

Prestes a completar um mês no próximo dia 4 de agosto, as investigações sobre o assassinato do médico cardiologista Denirson Paes, de 54 anos, ainda não foram concluídas e continuam cercada por dúvidas. A mulher do médico, a farmacêutica Jussara Paes, 54, e o filho mais velho do casal, o engenheiro Danilo Paes, suspeitos do crime, seguem presos temporariamente. Para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), no entanto, não há a necessidade de manter os suspeitos encarcerados.

Em entrevista exclusiva ao Ronda JC, a procuradora de Justiça Sineide Maria de Barros explicou que, na semana passada, apresentou parecer favorável para a concessão de habeas corpus para mãe e filho. Mas a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) negou o pedido feito pela defesa. “No pedido de prisão feito pela polícia não estavam presentes os pressupostos necessários. O delegado tem que demonstrar que os suspeitos, livres, vão atrapalhar as investigações ou esconder provas”, pontuou.

“Quando eles (suspeitos) foram presos em flagrante pela suspeita de ocultação de cadáver, o juiz (da audiência de custódia) já havia decidido que a prisão seria convertida em medidas cautelares, como se apresentar quinzenalmente à Justiça e não sair do País. Não havia risco de fuga, porque eles, inclusive, já iriam entregar o passaporte. Acredito que foi uma artimanha da Polícia Civil entrar com um pedido de prisão na Comarca de Camaragibe”, destacou Sineide Maria de Barros.

Para ela, há indícios fortes da autoria do crime, mas, no momento, não houve motivação para fundamentar o pedido de prisão, como determina a lei. “Os suspeitos têm residência física, são réus primários. Não há suspeita de que vão cometer outros crimes. Eles também colaboraram com as investigações, não se foragiram. Outra coisa que chama a atenção é que, na representação do pedido de prisão, tem um texto que não tem nada a ver com os ‘réus’. Parece um ‘copia e cola’. A polícia diz que um dos suspeitos estava em endereço não sabido, mas usa esse argumento quando ele já estava preso”, disse a procuradora.

No próximo sábado, chega ao fim o prazo da prisão temporária de 30 dias. A Polícia Civil pode solicitar a prorrogação do prazo ou ainda pedir a prisão preventiva dos suspeitos. Caberá à Justiça, com base em um novo parecer do MPPE, decidir a questão.

INVESTIGAÇÕES 

Restos mortais de médico foram encontrados num poço. Foto: Polícia Civil/Divulgação

Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido premeditado e teria sido motivado porque a esposa do médico não aceitava a separação. Os restos mortais da vítima foram encontrados esquartejados dentro de um poço ao lado da casa da família. O exame do Instituto de Medicina Legal (IML) ainda não esclareceu a causa da morte, mas já se sabe que uma marca de pancada foi encontrada no crânio do médico. A informação foi revelada pelo Ronda JC.

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