Quase 30% dos professores precisam de renda extra para pagar as contas

Cerca de 30% dos docentes têm atividades extras para completar a renda. A professora de biologia Andrea Piratininga faz artesanatos no tempo em que não está na sala de aula.
Cerca de 30% dos docentes têm atividades extras para completar a renda. A professora de biologia Andrea Piratininga faz artesanatos no tempo em que não está na sala de aula. Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
Letycia Cardoso

No Brasil, a profissão mais numerosa do país, que ocupa 2,2 milhões de pessoas, tem a maioria de seus profissionais insatisfeitos. Apenas 29% estão felizes com todos os quisitos de seu ofício. De acordo com a pesquisa Profissão Docente, levantamento feito na Educação Básica pelo Todos pela Educação, em parceria com Itaú Social e Ibope Inteligência, entre os março e maio deste ano, 29% dos professores que exercem uma segunda atividade para complementar a renda.

Esse é o caso da professora de educação física da rede estadual de ensino, Márcia Rodrigues, de 50 anos. Além de trabalhar em duas escolas de Cabo Frio (RJ), para conseguir manter as contas em dia, ela atua como personal trainer em academias e ainda aplica provas de concursos públicos.

– Às vezes, não dá nem para almoçar, porque o intervalo é muito curto para me deslocar de uma escola para a outra. E os extras que faço aplicando provas, sempre são aos finais de semana. Para ter uma vida com um pouco de conforto, é preciso trabalhar duro – desabafou.

Assim como os 78% entrevistados na pesquisa, os quais responderam que escolheram a profissão por afinidade, a professora de biologia Andrea Piratininga, de 47 anos, percebeu ainda na faculdade que gostava de dar aulas. Entretanto, dos 20 anos como docente, 18 também foram de dedicação ao artensanato para complementar a renda.

– Faço desde bijuterias a bolsas e até reforma de móveis! Isso garante 30% da minha receita – contou.

Durante a maior parte da carreira, a professora Andrea Piratininga fez artesanato para completar a sua renda.
Durante a maior parte da carreira, a professora Andrea Piratininga fez artesanato para completar a sua renda. Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

Já a professora de português Clarice Goldemberg, de 63 anos, há 22, concilia a rotina de lecionar com correçõesde texto para outras profissões, como advogados, a fim de ter verba para seu lazer. A docente faz parte dos 48% que se sentem desvalorizados e, para ela, a falta de infraestrutura é um grande problema atualmente:– Fora o salário, a sala não é preparada para o professor: o ar-condicionado pinga, espumas fazem a vez dos apagadores. A pesquisa ainda revelou que 62% dos professores querem aumento salarial, 64% esperam a restauração da autoridade e do respeito frente à comunidade escolar e 69% desejam formação continuada para exercer o ofício de forma eficaz. Tamanha insatisfação reflete em outro dado que influencia as próximas gerações: 49% não recomendam a profissão para os mais jovens.

A remuneração média no país, segundo os professores pesquisados, é de R$ 4.451,56 atualmente. Mas, um em cada três professores têm contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e também no cumprimento do 1/3 da carga horária prevista na Lei do Piso do Magistério para atividades extra-classe.

Em Juazeiro da Bahia tem professora que fabrica bolos, salgadinhos, costura, faz limpeza de casas, trabalha de garçonete, etc. Já os homens, procuram trabalhar na lavoura ou colocar casa de comércio, bar, restaurante ou lanchonete. Esta é a verdadeira vida de um professor que ainda arrisca sua vida dentro de sala de aula com alunos estupidos e malcriados.

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