
“Não vamos desistir do Brasil”. A frase dita por Eduardo Campos (PSB) no Jornal Nacional horas antes sofrer o acidente aéreo que o matou durante a campanha presidencial de quatro anos atrás foi destacada pelo candidato a vice-presidente do PT, Fernando Haddad, em atos na cidade natal de Lula (PT), Garanhuns, no Agreste pernambucano, neste sábado (1º). O petista esteve com o governador Paulo Câmara (PSB), afilhado político de Eduardo e candidato à reeleição no Estado, para gravar o guia eleitoral e fazer uma caminhada.
Em seu último discurso na cidade, Haddad destacou a passagem de Eduardo Campos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia do primeiro governo Lula. Após os elogios, a militância socialista gritava “Eduardo guerreiro do povo brasileiro”.
Aliado histórico de Lula, Eduardo rompeu com o PT em 2013, entregando os cargos no governo Dilma Rousseff para viabilizar a candidatura à presidência no ano seguinte. Em 2014, fez críticas à gestão petista e, no segundo turno, o PSB apoiou Aécio Neves (PSDB).

Haddad ainda criticou o governo Michel Temer (MDB). “O PMDB e o PSDB se transformaram em partidos que trazem instabilidade”, disse. Oficialmente, o partido de Temer está na coligação de Paulo Câmara. O deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) é candidato a senador ao lado de Humberto Costa (PT).
“Aqueles que no fim escolheram o Temer jogaram o país nesse poço que nós estamos”, afirmou ainda.
O PSB tenta empurrar no grupo adversário, do senador Armando Monteiro Neto (PTB), a pecha de “palanque de Temer”, por causa da baixa popularidade do presidente.
Armando havia declarado voto em Lula, seu aliado nas últimas eleições, mas, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro da candidatura do petista, não vai votar em Haddad. O petebista foi ministro de Dilma e deixou o cargo por causa do afastamento dela, ao qual se opôs, e rebate o PSB afirmando que a maioria da bancada do partido na Câmara dos Deputados foi favorável ao impeachment. Os candidatos ao Senado na chapa dele, os deputados federais Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), foram ministros das Cidades e da Educação, respectivamente, do governo Temer.
‘Plano b’ do PT, Haddad evitou se colocar como candidato e disse que a estratégia só será anunciada na próxima segunda-feira (3), quando a defesa puder visitar Lula na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde está preso desde o dia 7 de abril. Lula foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa por ter sido condenado em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


























