Silvio de Abreu pode deixar direção de teledramaturgia da Globo

O autor Silvio de Abreu deve se aposentar ao fim de 2019. (Foto: Memória Globo)

Chefão da teledramaturgia da Globo, uma das maiores produtoras do gênero no mundo, Silvio de Abreu deve deixar o cargo no fim do ano. Há poucas chances de reversão na decisão do autor, que encaminha sua aposentadoria.

Hoje com 76 anos, ele assumiu a função de líder da dramaturgia diária em 2014, prometendo um resgate das novelas da casa, as deixando com uma linguagem mais próxima das séries, o que já era demanda na época.

Depois, com a saída de Guel Arraes de seu posto diante da dramaturgia semanal, justamente a categoria em que os seriados estão inclusos, ele chegou a acumular as funções. O cargo hoje é ocupado por Gloria Perez. Ela assumiu também o controle da Casa dos Roteiristas, projeto que busca revelar novos profissionais.

 

Entre os méritos da gestão de Silvio de Abreu, além do lançamento de novos nomes, destaca-se a redução da média do total de capítulos das novelas. As tramas ficaram mais enxutas em todas as faixas.

No princípio, a criação de uma fila de autores estabelecendo com maior antecedência as produções dos anos seguintes também recebeu intensos elogios. Mas as definições passaram a ser eventualmente alteradas, descaracterizando a previsibilidade desejada. Sob diversas desculpas, tramas com sinopses inicialmente aprovadas depois foram canceladas ou adiadas.

Outra medida que foi prometida como lei e terminou por receber flexibilizações após pressões foi o fim da prática de reserva de atores por autores mais estrelados que ocupam as faixas mais nobres, evitando as famosas panelas, em que os mesmos profissionais sempre trabalhavam juntos. A ideia de otimizar o elenco foi aplicada por diversas ocasiões, inclusive causando desgaste da imagem de nomes que emendaram vários trabalhos, mas perdeu a força de regra inquebrável.

As interferências diretas nos textos de produções que foram mal na audiência também renderam crises. Muitos consideram que a obediência direta aos pedidos dos famosos grupos de discussão alterou as propostas de diversos folhetins. E por diversas vezes sem resultados que justificassem os danos artísticos.

A Globo, aliás, que empilhou vitórias no Emmy Internacional entre 2013 e 2016, não conquistou o prêmio máximo para as suas novelas nos dois últimos anos.

Trajetória

A última novela de Silvio de Abreu como autor principal foi o remake de Guerra dos Sexos, que não se saiu bem em audiência. Segundo ele, a culpa foi de fatores externos como o horário eleitoral obrigatório das eleições municipais de 2012 e o fim de ano.

Além das funções como diretor, Silvio também supervisionou tramas durante a sua gestão. E o seu próximo passo deve ser exatamente nesse sentido, ocupando tal função na produção do remake de Éramos Seis.

O paulista escreveu tramas marcantes como Rainha da Sucata, A Próxima Vítima e Belíssima, essa cujo reprise no Vale a Pena Ver de Novo chega ao fim na sexta.

Aposentadorias em série

Nos últimos anos, a Globo vem perdendo vários de seus nomes mais experientes não para as concorrentes, mas sim para a aposentadoria. Entre outros nomes que saíram da emissora sem migrar para outro canal, destacam-se Eneida Nogueira, que era diretora de pesquisa desde 1998, e Eugênia Moreyra, que comandava a GloboNews. Ambas se aposentaram em 2017. No mesmo ano, o diretor Luiz Nascimento também deixou o Fantástico para viver fora do país.

Em 2014, a emissora já havia sido marcada pelas saídas de Manoel Martins, que comandava o entretenimento, e de Alice-Maria, uma das pioneiras do jornalismo na casa.

Resposta da Globo

Procurada, a Assessoria de Imprensa da Rede Globo informou que não procede a informação de que Silvio de Abreu planeje se aposentador em 2019. Por email, a Assessoria informou que “ele ainda tem muito trabalho pela frente”.

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