E Renan foi derrotado dentro do próprio MDB

Quem acompanha a política brasileira sabe que o senador Renan Calheiros é um dos mais talentosos políticos do país e aqui não se faz nenhum juízo de valor sobre as acusações que pesam contra ele no campo ético e moral. O fato é que metade dos inquéritos em que é investigado pela suposta prática de vários crimes, entre eles lavagem de dinheiro, já foi arquivada pelo Supremo Tribunal Federal por falta de provas, o que lhe tem dado sobrevida no parlamento brasileiro.

Pois bem, é com esse extraordinário talento político adquirido em Murici, berço de um dos clãs mais conhecidos de Alagoas, que Renan foi peça decisiva em 1989 para eleger um presidente da República (o conterrâneo Collor de Mello) e depois para romper com ele, aliar-se a FHC de quem foi ministro da Justiça, fazer a travessia política para os palanques de Lula e Dilma, porém sempre com o cuidado de não perder o controle da legenda junto com o companheiro inseparável Romero Jucá Filho, que as urnas de Roraima despacharam de volta para casa nas eleições de outubro último. Renan votou a favor do impeachment de Dilma mas logo depois passou a ser cabo eleitoral de Lula em seu Estado, mesmo sabendo que ele não seria candidato. Interessava-lhe, no entanto, fazer a pregação da volta do “lulismo” porque isso ajudaria na reeleição do governador Renan Calheiros Filho.

Pai e filho votaram disciplinadamente em Fernando Haddad. Mas após a vitória de Jair Bolsonaro iniciaram o processo de aproximação com o novo presidente da República. Se esse casamento será duradouro ou não, o tempo dirá. Mas Renan tem sete vidas e não será desta vez que pretende dar murro em ponta de faca. Se Bolsonaro der um novo rumo ao país na área econômica, contribuindo pelo menos para reduzir a taxa de desemprego, Renan estará firme ao lado dele, e desta vez sem ter que dividir a liderança do MDB com o ex-senador Romero Jucá.

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