À véspera da eleição das mesas diretoras da Câmara Federal e do Senado, muito se debateu em Brasília e em outros lugares se a votação deveria ser aberta ou secreta. O Regimento Interno das duas Casas determina expressamente que o voto tem que ser secreto. No entanto, sob o argumento de que “o plenário é soberano”, senadores que defendiam o voto aberto se manifestaram claramente nesta direção durante “questão de ordem” posta em votação pelo senador Davi Alcolumbre, então presidindo a sessão preparatória.

Foram 50 votos pelo voto aberto e apenas dois pelo voto secreto. Foi um resultado demagógico e oportunista por parte de quem estava fragilizando a democracia pensando que agia em sentido contrário, para ficar em sintonia com a “voz das ruas”. Ora, há certos tipos de votação que devem ser secretas tanto para proteger o parlamentar como também o poder do qual ele faz parte. É o caso da apreciação de veto presidencial, cassação de mandato parlamentar e eleição de mesa diretora. Nesses casos o voto deve ser secreto para proteger o parlamentar de certos constrangimentos e de certas pressões do poder executivo. Por isso, cobrar transparência nesse tipo de votação é demagogia da pior espécie. Ainda bem que o presidente do STF, Dias Toffoli, ao ser provocado na última sexta-feira por sua condição de “ministro plantonista” da Suprema Corte, determinou que se respeitasse o Regimento do Senado. Renan Calheiros, pela primeira vez, ingenuamente, imaginou que o voto secreto o favoreceria, mas isso não se confirmou na urna. Era a maioria da Casa que não queria de jeito nenhum a volta dele, independente de o voto ser aberto ou secreto.
























