É preciso respeitar quem é convocado

A sessão da Câmara Federal em que o ministro Abraham Weintraub foi sabatinado sobre os cortes nas verbas do MEC transformou-se num espetáculo deprimente. Não é porque o ministro é despreparado que deveria ser agredido por um grande número de parlamentares, felizmente nenhum de Pernambuco.

A deputada Talíria Petrone (PSol-RJ) chamou-o de “debochado” e “incompetente”, seguido pelo colega de Minas, André Janones (Avante), que o acusou de “covarde”. Isso, evidentemente, não é democracia. Se foi feita uma “convocação” a Sua Excelência para dar explicações sobre o contingenciamento nas verbas da pasta, a obrigação de quem o convocou era ouvi-lo, respeitosamente, como recomendam as regras da boa política. A vítima anterior dessa falta de respeito foi o ministro Paulo Guedes, o qual, no entanto, respondeu à altura a provocação do deputado Zeca Dirceu (PT-PR), segundo quem o mandachuva da economia age como “tigrão” em relação aos aposentados do INSS e como “tchutchuca” em relação aos banqueiros. “Tchutchuca é sua mãe, sua avó”, esbravejou o ministro. Weintraub, sem traquejo para o contraditório, engoliu, acuado, os insultos de que foi alvo. Registre-se, por dever de justiça, a forma elegante como foi questionado, e de forma dura, pelo deputado Raul Henry (MDB-PE), fato que levou o ex-vice-governador de Pernambuco a receber elogios do ex-ministro Carlos Ayres Britto (STF) e do arcebispo Dom Fernando Saburido. (Inaldo Sampaio)

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