Prefeitura de Juazeiro celebra 2 de Julho com homenagens a lideranças de terreiro e valorização da ancestralidade baiana


Programação reuniu ato cívico, Xirê em louvor ao Caboclo, fanfarra, apresentações culturais e participação da comunidade do Largo Dois de Julho

O 2 de Julho foi comemorado em Juazeiro com uma programação especial no Largo Dois de Julho, conhecido como Praça do Índio. A manhã reuniu ato cívico, homenagens a lideranças de terreiro, Xirê em louvor ao Caboclo, fanfarra e apresentações musicais, em um momento voltado à celebração da memória e da ancestralidade baiana.

A programação foi realizada pela Prefeitura de Juazeiro, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, Diversidade, Igualdade Racial e Combate à Fome (Sedes), da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte (Seculte) e da Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT), em parceria com moradores do Largo Dois de Julho, que também participaram da organização.

Símbolo da luta pela Independência da Bahia, o 2 de Julho marca a expulsão definitiva das tropas portuguesas do território baiano, em 1823, e representa uma das datas mais importantes para a identidade do povo baiano. Em Juazeiro, a comemoração também reforçou o papel dos povos tradicionais e das expressões culturais e religiosas na memória coletiva do município.

Durante a solenidade, foram entregues placas à ialorixá Maria de Tempo, do Terreiro Banda Lê Koongo; e aos babalorixás Erivaldo Rosa, do Ilê Asé Ominkayodé; e Regivan Paulino, do Ilê Asè Omìn Deuy. A homenagem destacou trajetórias dedicadas à preservação das tradições de matriz africana e à diversidade religiosa na região.

Representando a ialorixá Maria de Tempo, Naiady Miranda, filha do Terreiro Banda Lê Koongo, destacou o significado do momento para a comunidade. “Receber essa homenagem no dia de hoje, uma data tão importante para a Bahia, representa essa resistência do povo baiano. É o reconhecimento do trabalho que a gente vem desenvolvendo enquanto povo de terreiro”, afirmou.

Também homenageado, o babalorixá Erivaldo Rosa ressaltou que a homenagem se estende à comunidade. “Esse reconhecimento não é só meu como sacerdote. Ele pertence a cada povo de terreiro, a cada pessoa que luta nas batalhas do dia a dia”, disse.

A solenidade também marcou a relação entre a Independência da Bahia e a participação dos povos negros, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na construção da história do país. Para o vice-prefeito Tiano Félix, a data também é uma referência de luta por direitos. “Quando falamos de liberdade, falamos também do direito à fé, à educação, à cultura, ao lazer, ao esporte e à saúde. Essa luta continua até os dias de hoje”, afirmou.

A superintendente do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), Maria Quitéria Lima, agradeceu a presença dos povos de terreiro na programação. “Esta é uma data muito importante para a Bahia e para os juazeirenses. Aos povos de axé, deixamos nossa gratidão e reconhecimento por manterem vivas tradições que também contam a história do nosso povo”, afirmou.

Após a solenidade, a comunidade seguiu com as comemorações na Praça do Índio. O tradicional festejo acontece desde 2016, inicialmente organizado pela associação de moradores do local. Desde 2025, a Prefeitura de Juazeiro realiza a celebração em parceria com os moradores, ampliando a programação e consolidando o caráter comunitário e simbólico da data.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *