Ciro Gomes entre a esquerda e a direita

O ex-ministro Ciro Gomes, que vai estar hoje no Recife para participar de um debate sobre os primeiros meses de governo de Bolsonaro, já disputou três vezes a Presidência da República e está a caminho da quarta eleição em 2022. Se vencer, terá repetido a trajetória do ex-presidente Lula, que só conseguiu chegar lá na quarta tentativa. Ciro é um quadro político diferenciado no “deserto” de homens e ideias em que o Brasil se encontra hoje. Mas, lembrando uma frase de Tancredo Neves, não se chega à Presidência da República apenas por vontade pessoal ou programa de governo, e sim pelo destino, de que são exemplos esses brasileiros que em circunstâncias normais jamais teriam chegado lá: Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro.

Se o acesso à Presidência fosse feito por meio de concurso público, Ciro teria chegado lá logo na primeira tentativa. É um homem público de currículo invejável (deputado estadual, deputado federal, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro de estado). Mas nunca teve a sorte de se encontrar no partido certo, na hora certa, quando concorreu ao Palácio do Planalto. Ele é uma das raras alternativas viáveis com que o Brasil poderá contar em 2022, desde que conquiste a confiança das “esquerdas” que se desiludiram com o PT e também das “direitas” que estão decepcionadas com o governo Bolsonaro, o que não será fácil. (Inaldo Sampaio)

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