Um dos diálogos sobre o qual o ministro foi questionado dizem respeito à manifestação de alguns procuradores que se mostraram críticos à forma como Moro conduzia os processos quando era juiz federal. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) pediu o comentário de Moro sobre o fato de um procurador, sob condição de anonimato, ter confirmado ao Correio a veracidade dos diálogos — Moro tem repetido que não reconhece a autenticidade das mensagens.
“Qual procurador? A quais mensagens ele se refere? Se aquelas mensagens são autênticas, é possível que um procurador tenha confirmado alguns trechos”, respondeu Moro à parlamentar.
Segundo a matéria divulgada pelo Intercept no último fim de semana, as conversas entre os procuradores ocorreram no fim do ano passado, após o resultado das eleições. Os integrantes do Ministério Público Federal (MPF), além de afirmarem que Moro costumava “violar o sistema acusatório”, também demonstraram preocupação com a credibilidade da Lava-Jato caso o então juiz aceitasse o convite para o Ministério da Justiça.
Após a publicação da matéria, Moro voltou a lançar dúvidas sobre a veracidade do material divulgado.
Um dos procuradores, porém, afirmou ao Correio que as mensagens haviam ocorrido de fato. “Me recordo dos diálogos com os procuradores apontados pelo site. O grupo não existe mais. No entanto, me lembro do debate em torno do resultado das eleições e da expectativa sobre a ida de Moro para o Ministério da Justiça”, disse o magistrado.
“Se existiu…”
Em outro momento da audiência, Moro também foi questionado sobre uma mensagem na qual teria afirmado “In Fux we trust” (Em Fux nós confiamos), em referência a decisões tomadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Fux.