O choro das rosas, o ataque de Jerônimo e Rui às mulheres e as heroínas do 2 de Julho e o “sabor” trabalho do governo
Do Pombo Correio

Jerônimo deixou o 2 de Julho cabisbaixo Crédito: Arisson Marinho/CORREIO
O grupo petista da Bahia chegou ontem ao 2 de Julho apático e saiu cambaleante. Foi possível observar claramente o semblante abatido de suas três principais lideranças (o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa), tanto pela onda de notícias negativas provocada pela operação da Polícia Federal contra o senador quanto pela própria crise de popularidade da gestão estadual. Nas ruas, vaias e manifestações com faixas e cartazes protestavam contra o Jerônimo, Rui e Wagner em praticamente todo o trajeto. Ao lado deles, poucos foram os parlamentares que colaram durante o cortejo, demonstrando um momento de fragilidade política do grupo. Como disse um observador da política: a trilha sonora do cortejo dos petistas é “Choram as Rosas”, famosa canção interpretada pela dupla sertaneja Bruno e Marrone. Entendedores entenderão.
Agressão
Heroínas da Independência do Brasil na Bahia, Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa ficariam perplexas com os horrores praticados contra as mulheres neste 2 de Julho pelo governador Jerônimo e pelo ex-ministro Rui Costa. Descontente ao ouvir de uma mulher que seu governo está perto do fim, Jerônimo reagiu de forma intempestiva e partiu para agressão física. Segurou e torceu o braço dela com força, enquanto rangia os dentes. A festa cívica que só se tornou possível graças à bravura das mulheres virou palco de misoginia e agressão, justamente de quem deveria pregar o oposto. O hino da Independência já traz o antídoto: “com tiranos não combinam brasileiros corações”.
Em tempo
No dia de exaltar a luta e o protagonismo feminino, Rui e Jerônimo deram de ombros para a história e fizeram a política rasteira, mirando justamente a figura da mulher.
“Sabor” trabalho
O grito de guerra ensaiado por um grupo de militantes em defesa do governador Jerônimo no 2 de Julho virou piada pronta. O coro de “Eu quero mais, governo que trabalha, com sabor de quero mais” despertou o deboche de quem acompanhava a festa, porque muita gente associou o slogan ao meme do “sabor”, usado justamente para ironizar algo que tenta parecer uma coisa, mas não é. No caso do governo, a brincadeira encontrou terreno fértil já que o petista se notabilizou por prometer e não cumprir. Daí, o conceito de trabalho vira “sabor” trabalho.
Exército inédito
O 2 de julho deste ano contou com uma presença massiva de vereadores do interior do estado, que na quarta participaram de um grande encontro de mobilização com ACM Neto. Eles dever ser os grandes protagonistas desta eleição, em um movimento inédito que traz para o centro da mudança quem melhor conhece de perto a realidade da população. Afinal, são os vereadores que batem de porta em porta, recebem as primeiras cobranças e acabam tendo de explicar, nos municípios, por que tantas promessas feitas pelo governo do Estado continuam sem sair do papel.
Chegou?
A cerca de 90 dias da eleição, o governo Jerônimo resolveu anunciar que a Ponte Salvador-Itaparica “chegou”. A peça publicitária dele com Lula exibe ao fundo poucos metros de uma estrutura metálica provisória fincada beira-mar, como se duas décadas de promessas finalmente tivessem se transformado em realidade. O detalhe é que, nesta mesma época do ano passado, o próprio presidente afirmou, em entrevista ao vivo, que as obras já haviam começado. Agora, voltou a Salvador para participar do início simbólico da construção. Fica a dúvida: no ano passado alguém enganou Lula ou, desta vez, os dois decidiram enganar a Bahia juntos?
Distúrbio
E por falar na ponte, Rui Costa resolveu dizer que quem nega a ponte está sofrendo de “distúrbio cognitivo”. Ele direcionou o ataque para adversários políticos, mas acabou acertando em praticamente toda a sociedade baiana, que viu sucessivas promessas serem descumpridas sobre este projeto ao longo de quase 20 anos. E o pior: Rui chama de início do projeto a montagem de uma estrutura provisória que mais parece um point para banhistas pularem no mar. Conhevenhamos: é brincar com a inteligência do povo. Mas o que esperar de Rui, cuja especialidade ultimamente tem sido atacar todo mundo?
Infidelidade
A decisão do senador Otto Alencar, cacique do PSD na Bahia, de apoiar a reeleição do presidente Lula ainda que seu partido tenha candidatura própria ao Planalto, inaugura mais um capítulo de incongruências. Esta semana o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi anunciado vice de Ronaldo Caiado, formando uma chapa-puro sangue que não contará com a adesão do correligionário baiano.
Aviso dado
E por falar no PSD, Kassab tem acompanhado de perto a situação da Bahia. Chegou a Brasília um rumor de que Wagner poderia abdicar de sua candidatura à reeleição e, diante disso, o cacique pessedista já avisou que não abre mão da vaga, que, segundo fontes nos bastidores, poderia ir para a deputada federal Lídice da Mata (PSB). Kassab ainda não engoliu o fato de o PSD ter aberto mão da vaga na chapa de Jerônimo e, agora, não estaria disposto a fazer uma nova concessão. Segundo fontes da coluna, Otto já foi comunicado.
Que fase…
O grupo petista da Bahia sofreu uma nova derrota esta semana na eleição para o Sindicato dos Médicos do Estado (Sindimed). A disputa, que ocorreu nesta semana, foi vencida pelo cardiologista Júlio Braga, que enfrentou a chapa encabeçada Tiago Almeida, filho do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB). O governo colocou a máquina para trabalhar com tudo pelo filho do parlamentar comunista, usando práticas nada republicanas, mas no final venceu Braga com mais de 300 votos de frente. Quem acompanhou garantiu que a disputa foi digna de Davi x Golias.
























