No São João da pandemia, o forró pé de serra sofre mais
‘Estamos ajudando até com cesta básica. Todo o pessoal do pé de serra, aquele que recebe o cachezinho menor, está passando por isso’

A ideia de proibir fogos e fogueiras no São João, nascida em Camaçari, adotada pelo Ministério Público, se alastrou pelos quatro cantos da Bahia com a velocidade da Covid. Carimba de vez o estigma do São João de 2020, o mais atípico de todos os tempos.
Zé de Zulmira, que durante muito tempo comandou a Associação de Forrozeiros da Bahia, entidade que congrega mais de 400 deles, conta que nesta época do ano era normal e natural que todos estivessem pelos quatro cantos da Bahia, no litoral e nos sertões, fazendo a alegria da mais popular das nossas festa. Mas…
— Eu tenho uma banda que contrato de março a 15 de julho. Tem gente que estamos ajudando até com cesta básica. Todo o pessoal do pé de serra, aquele que recebe o cachezinho menor, está passando por isso.
Sobrando
Diz Zé de Zulmira que no forró, como na vida, os maiores sempre engolem os menores, mas agora na pandemia está acontecendo algo que é pior, alguns programas como a do São João da Bahia, da Globo, discriminam.
— Só tem da Bahia Nelson Santana e Leo Santana. O resto é todo de fora. É muito perverso nessas circunstâncias.
Na Bahia, todos os 417 municípios de alguma forma comemoram, em 300 a festa é mais forte, em nove (Senhor do Bonfim, Cruz das Almas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus) vendido para o país inteiro. Em 2020, forró só na tevê. Ou no celular.

























