Câncer de endométrio: sangramento uterino anormal é sinal de alerta

Exposição excessiva ao estrogênio é principal fator de risco segundo ginecologista

O câncer de endométrio é um dos cânceres ginecológicos mais comuns entre mulheres, especialmente as que já passaram pela menopausa e estão acima dos 60 anos. Segundo dados do Atlas de Mortalidade por Câncer, somente em 2024 mais de 2.700 mulheres morreram em decorrência da doença no Brasil.

Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima o registro de 9.650 novos casos a cada ano, consolidando o câncer de endométrio como a 6ª neoplasia mais frequente na população feminina brasileira.

A condição, conforme a ginecologista Aline Nunes, do Hospital Jayme da Fonte, se dá pelo desenvolvimento de um tumor maligno no revestimento da cavidade interna do útero, chamada de endométrio, geralmente relacionado à exposição prolongada ao estrogênio.

Segundo a ginecologista, o principal sinal de alerta é o sangramento uterino anormal, sintoma que nunca deve ser ignorado, especialmente por mulheres que já deixaram de menstruar.

“Se uma paciente na menopausa sangra, é preciso investigar. Geralmente, o sangramento é o principal sinal. Em estágios mais avançados da doença também pode-se ter dor pélvica e sensação de massa pélvica”, alerta a médica.

Embora o público mais vulnerável seja formado por pacientes menopausadas, o câncer de endométrio também pode acometer mulheres mais jovens quando há exposição crônica ao estrogênio. O hormônio favorece alterações que podem levar ao surgimento da doença.

A ginecologista Aline Nunes, do Hospital Jayme da Fonte. Foto: Vinicius Lins/Folha de Pernambuco.

“Pacientes obesas que tenham uma conversão estrogênica maior, pacientes com diabetes que tenham uma resistência à insulina, pacientes anovuladoras crônicas e pacientes com a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp)”, elenca a especialista.

A ginecologista também destaca que mulheres em terapia de reposição hormonal devem manter acompanhamento médico para garantir o equilíbrio entre estrogênio e progesterona.

Para chegar ao diagnóstico o exame mais indicado é a histeroscopia. “O procedimento permite visualizar a cavidade uterina com uma microcâmera e realizar uma biópsia dirigida do endométrio retirando uma parte do tecido e enviando para análise”, detalha a médica.

Na maioria dos casos de diagnóstico positivo, a histerectomia total (retirada do útero) associada à remoção dos ovários é o procedimento mais indicado. “Dependendo da faixa etária, se for uma paciente mais nova, também é possível a realização de radioterapia”, complementa Aline.

Para a prevenção, se faz necessária a adoção de hábitos saudáveis. “Alimentação saudável, exercício físico regular, para que se possa desinflamar o organismo, e em pacientes anovuladoras, ajustar essa questão”, conclui.

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