Por Magno Martins
Desavisados costumam confundir valorização da cultura com a contratação de grandes shows a qualquer preço. É o que parece acontecer no governo de Raquel Lyra (PSD). Citada em relatório recente como a governadora que mais gastou com shows no Brasil, ela tem priorizado o aporte de dinheiro público em atrações “arrasa-quarteirão”.
E que rendem, diga-se de passagem, engajamento nas redes sociais, mas tem sido displicente com eventos que fazem parte da identidade cultural de Pernambuco.
Ela não foi, por exemplo, ao Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) este ano, algo de que não se tem notícia que tenha ocorrido com outros governadores em mais de três décadas. Em 2024, depois de sua pior edição em meio à desorganização estadual com a grade de shows e a infraestrutura, o evento foi assumido pela Prefeitura do município.
Irritada, Raquel criou um festival paralelo — o Pernambuco Meu País —, para onde destinou a maior parte dos R$ 57 milhões pagos em cachês e shows nos últimos dois anos, segundo o relatório “Farras”, do observatório De Olho nos Ruralistas.
Ontem, outro descaso com a cultura constrangeu Raquel publicamente. Durante a Missa do Vaqueiro, ela foi cobrada pelo celebrante, o padre Pedro Sérgio, diante de uma multidão. Na pauta de um manifesto entregue pelo religioso, esteve uma falta de providências que, por pouco, não comprometeu uma tradição de mais de meio século.
Até a última quarta-feira não havia definições sobre a grade artística e a segurança, que são atribuições do Governo do Estado, o que chegou a gerar críticas da Prefeitura de Serrita e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
O contraste não poderia ser mais evidente: enquanto milhões de reais são destinados a cachês e grandes estruturas, manifestações culturais que carregam a história e a identidade de Pernambuco precisam lutar para receber o mínimo de atenção do Estado.
Sem destinar recursos para garantir planejamento e apoio às iniciativas que mantêm viva a cultura pernambucana, o atraso de Raquel na Missa do Vaqueiro deixa de ser obra do acaso e vira sintoma de como o atual governo trata com descaso as tradições pernambucanas.


























