O Brasil em recessão
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O Brasil da pandemia econômica levou todas as atividades geradoras de renda e emprego para o fundo do poço. A sensação é de uma quebradeira geral. Por baixo, 700 mil pequenas e médias empresas fecharam suas portas. Como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, segundo um velho ditado, o Nordeste entrou em frangalhos. Em Pernambuco, um dos setores mais atingidos é a indústria da sulanca, mola que move o pão à mesa de milhares de pequenos produtores com suas biroscas até em casa.
Em números reais, a Fundação Getúlio Vargas apontou ontem um quadro muito mais preocupante: o Brasil entrou em recessão a partir do primeiro trimestre deste ano. Já sob efeitos da pandemia de covid-19, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre registrou baixa de 1,5% ante os quatro últimos meses de 2019, conforme os dados das Contas Nacionais Trimestrais, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) há um mês.
Os economistas da FGV se reuniram na última sexta-feira e concluíram que o ciclo de negócios brasileiro atingiu um pico de expansão no quarto trimestre de 2019, o que sinaliza a entrada do País em uma recessão a partir do primeiro trimestre de 2020. Com isso, o ciclo de expansão anterior à atual recessão durou 12 trimestres, do primeiro trimestre de 2017 ao quarto trimestre de 2019. O ciclo de expansão encerrado no quarto trimestre de 2019 deu fim à recessão de 2014 a 2016, a mais prolongada da história econômica nacional.
Inicialmente, a Fundação havia datado esse ciclo de retração entre o segundo trimestre de 2014 e o quarto trimestre de 2016. Na reunião, também ficou fixado os meses específicos de pico e vale de todos os ciclos analisados pelos economistas, desde o início da década de 1980. Dessa forma, a recessão de 2014 a 2016 durou 33 meses, de abril de 2014 a dezembro de 2016, conforme a datação atualizada pelos economistas.
A datação dos ciclos, conforme os meses, revela que na média desde janeiro de 1981, os ciclos de expansão tiveram duração de 32,9 meses. Já os ciclos recessivos tiveram duração média de 17,7 meses. Como se diz, o mar não está para peixe, recessão é um péssimo indicativo para um momento em que não dá mais para esperar a curva da Covid-19 recuar. Já se foram 90 dias de comércio fechado, de produção nas indústrias quase zerada, mas não dá para correr também o risco do abre tudo e assistir ao triste crescimento da pandemia. (Magno Martins)
























