Heróis de “Diablo” e “Assassin’s Creed” vão estampar capas de cadernos escolares
Os games avançam no mercado brasileiro. Ou melhor, em vários mercados. A Tilibra, fabricante de material escolar, anunciou nesta segunda-feira uma parceria com a americana Blizzard, desenvolvedora dos games World of Warcraft e Diablo III, e a francesa Ubisoft, dona da franquia Assassin’s Creed, que leverá os personages desses jogos para as capas de cadernos escolares. Em entrevista ao site de VEJA, Rubens Passos, presidente da Tilibra, explica como encontrou nos videogames um aliado para se aproximar dos estudantes. “Queremos licenciar todos os jogos de sucesso no Brasil.” Confira a entrevista do executivo a seguir.

Por que usar personagens da Blizzard nos cadernos? Nosso público alvo é o estudante brasileiro. Conduzimos anualmente pesquisas de mercado que mostram as preferências deles com o objetivo de saber o que eles gostariam de ver nas capas. Como a Blizzard tem uma seleção muito boa de games, com títulos de sucesso, decidimos negociar a parceria.
A Tilibra já usa o modelo há três anos. Qual foi o primeiro jogo licenciado? O nosso primeiro licenciamento foi God of War, da Sony. Também licenciamento Killzone, para PlayStation. Depois, vieram Blizzard e Ubisoft, responsável pela série Assassin’s Creed. Estamos com uma seleção campeã de personagens.
Como é conduzida a pesquisa com estudantes? Temos diferentes mecanismos para identificar o que desejam os alunos. Todos os anos, participamos de feiras nos Estados Unidos para conhecer de perto novas propriedades intelectuais. Nesses eventos, todas as empresas que têm interesse em licenciar seus personagens organizam exposições. Esse é um caminho. Também ficamos de olho no que sai na imprensa. Não são raras as reportagens sobre o sucesso dos games no Brasil. Nossa equipe de marketing tem como uma de suas prioridades ficar antenada nos jogos de maior sucesso no país. Atrelado a esse trabalho interno, contratamos agências especializadas em pesquisa de mercado para conversar direto com os nossos consumidores. É assim que monitoramos as preferências.
Assim foi decoberto o gosto do brasileiro por games? Isso mesmo. Percebemos que o mercado de materiais escolares era carente de personagens de jogos. Procuramos as desenvolvedoras para apresentar a Tilibra e explicar que existia potencial nesse segmento. Nossas parcerias com a Blizzard e com Ubisoft são ampliações de um trabalho que começou há algum tempo.
Nos Estados Unidos, o mercado de licenciamento de jogos é muito grande. Os personagens estão em copos, roupas, toalhas de banho e, claro, cadernos, agendas e mochilas. O senhor acredita que o mesmo deve acontecer no Brasil? Sim. E esses produtos tendem a fazer mais sucesso entre o público masculino. Estávamos habituados a trabalhar com propriedades básicas, como times de futebol, mas hoje as crianças dedicam mais tempo ao videogame do que à TV. Quando não estão estudando, elas estão jogando. Nosso objetivo é atingir meninos entre 6 e 20 anos de idade. A faixa é muito ampla e essa é uma das coisas mais legais dos games. Até eu, que não tenho mais vinte e poucos, jogo com meus filhos(risos).
Além de cadernos, a Tilibra expandirá o licenciamento desses personagens para outros produtos escolares, como lápis, borracha, estojo? A Tilibra tem hoje uma diversificada gama de produtos escolares. Devido ao sucesso que obtivemos ao longo desses três anos com os licenciamentos de games, estamos em negociação para expandir a linha de produtos.
Como agradar estudantes cada vez mais conectados e distantes do mundo físico dos cadernos e lápis? Licenciar personagens de games é uma estratégia para aumentar o consumo de cadernos? Na verdade, não. A papelaria tem um grande desafio, já que o consumo de papel tende a diminuir nos próximos anos. Essa é a conclusão dos nossos estudos e avaliações. A tendência é a redução do consumo desse tipo de material tradicional de papelaria. A ideia, portanto, é incentivar a compra desses cadernos em detrimento de outros. Esse público consumia uma determinada propriedade intelectual e agora pode passar a usar outra. Isso não significa que o consumo de cadernos vai aumentar. O que vai acontecer é uma migração de um produto para outro. Estamos apenas ficando mais próximos do dia a dia desses estudantes.
A Tilibra tem conversado com outras desenvolvedoras para licenciar mais jogos?Trata-se de um processo contínuo, mas não podemos comentar futuras parcerias. Temos acordos com Blizzard, Ubisoft e Sony, mas estamos sempre buscando novos negócios. Nosso objetivo é conseguir licenciar todos os jogos de maior sucesso no Brasil.
Fonte: veja


























