Partiu? Casal de Salvador larga tudo para morar em kombi viajando o país

Emilly Tifanny Oliveira*
Partiu? Casal de Salvador larga tudo para morar em kombi viajando o país(Paula Fróes/CORREIO)
Lençóis é o primeiro destino

O que para muitos pode parecer loucura, para Carina Moura, 28, e Eduardo Baruch, 31, é uma grande aventura. O casal de baianos resolveu deixar tudo para trás e rodar o país em uma kombi. Letícia, como foi batizada pelos namorados, é carinhosamente chamada de kombi Leti. “Em latim, significa aquela que traz felicidade”, destaca Carina.

Eles se conheceram virtualmente, quando Eduardo morava na Austrália e Carina em Portugal. Os dois marcaram uma viagem de uma semana para Dubai, no meio do caminho entre os países que estavam, para se conhecerem pessoalmente e desde então, não se desgrudaram mais e passaram a viver na Austrália.

Como todo casal, eles contam que tinham o sonho de terem uma casa própria, mas não era de um lar comum que falavam. Depois de um ano juntos, voltaram para Salvador, e decidiram aqui, construir um lar sobre rodas, com a intenção de conhecerem tudo que o mundo tem para oferecer.

“Decidimos vir para o Brasil de vez e um dos motivos foi a pandemia. A adaptação aqui foi um pouco difícil. A gente voltou de novo pra essa vida de trabalhar de segunda a sexta, oito horas por dia. Não estávamos tendo tempo de fazer o que gostávamos, não somos de balada, mas amamos viajar”, explica Carina.

Eduardo e Carina transformaram a ex-kombi escolar numa kombi lar, que chamam de ‘Leti’ (foto: Paula Fróes/CORREIO)

Início do sonho

Depois de perceberem a insatisfação com a rotina, a decisão de escolher a estrada foi rápida. O casal começou a pesquisar novos estilos de vida e a Kombi Home apareceu como a melhor opção. “Ele virou para mim e disse: ‘E aí, vamos nessa?’. Eu respondi: ‘Vamos nessa!’”, relembra.

Na semana seguinte a Kombi já estava comprada. Nascida em 2008 e até então de um único dono, o veículo passou 13 anos como um transporte escolar de doze lugares. Com poucos recursos, o casal decidiu construir por conta própria, toda a estrutura que transformaria a kombi em um lar.

“A gente foi pesquisando como fazia, e fizemos tudo, para economizar o máximo de dinheiro”. diz Eduardo. Letícia foi comprada em setembro do ano passado e levou cinco meses para ficar pronta. Sua estreia aconteceu este mês, em fevereiro.

Mas o que cabe em um veículo como esse? Surpreendentemente tudo. A Kombi tem em apenas um cômodo, quatro ambientes diferentes que se transformam de acordo com a hora do dia. Pela manhã, o quarto se transforma em sala, com sofá, televisão e uma vista para uma bancada, que na hora do almoço vira uma cozinha.

As refeições são feitas pelo casal em uma mesa removível que pode ser colocada na sala, de frente para o sofá, ou na parte externa. Os banhos são tomados do lado de fora. Para isso, eles montam uma estrutura parecida com uma cabana e aproveitam a água do tanque de 50L, que fica acoplado embaixo do veículo.

Quando a noite cai novamente, o sofá é transformado em uma cama e o ambiente se torna um quarto. Para refrescar, os dois instalaram um mini ventilador na kombi. Todos os eletrodomésticos e outros aparelhos são alimentados pelos painéis de energia solar colados no teto.

Primeiro destino a vista

O primeiro destino será Lençóis. Os três, Carina, Eduardo e a Kombi Leti, partem na próxima semana. A viagem não tem um prazo de validade definido, o casal ficará na estrada até quando o dinheiro der. Para fazer uma graninha extra, eles aproveitarão outras fontes de renda, ela é formada em marketing e ele é programador de sistemas.

Eles também planejam monetizar os vídeos que fazem para o YouTube. O casal tem um canal na plataforma chamado “Então vamo nessa”, onde eles compartilharam todo o processo de construção da kombi home e seguirão fazendo durante a viagem, tanto no canal como nas redes sociais, através do @entãovamonessa. Para isso, estão deixando para trás os empregos fixos e o apartamento alugado.

“Depois da primeira parada na Chapada Diamantina, nossa intenção é continuar ao Sul”, planeja Carina. Como guia, eles usarão a intuição. “Todo lugar que a gente for, vamos fazer o que der vontade. Chegando lá, não teremos data para ir, vamos sair de um lugar quando a vontade bater”, compartilha Eduardo.

Fonte: Correio

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