Opinião
A regulação das redes sociais tramita na Câmara por intermédio de um projeto batizado de “Lei das Fake News”. Foi pelas redes que o bolsonarismo implantou a guerra mais desigual nas campanhas, a primeira, na qual foi eleito, e a segunda, que perdeu para Lula. Por isso mesmo havia uma desconfiança de que a grande massa que votou em Bolsonaro teria posição contrária à iniciativa.
Mas uma pesquisa do instituto Atlas/Intel mostrou, ontem, que a maioria dos eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial, no ano passado, apoia a regulação das redes sociais. O levantamento mostrou que 78% dos entrevistados são favoráveis a uma lei para estabelecer normas de funcionamento das redes, com identificação de conteúdos violentos e proteção de crianças e adolescentes.
Deste total, 60,5% afirmam ter escolhido Bolsonaro na segunda rodada da eleição. A pesquisa foi realizada pouco antes de a Câmara aprovar, após muitas discussões, o regime de urgência para a votação do projeto de lei das fake news. Os dados obtidos no levantamento contrastam com declarações de muitos deputados bolsonaristas, que rejeitam a proposta, sob o argumento de que a extrema direita é perseguida pela esquerda nas redes sociais.
Na tentativa de facilitar a tramitação do projeto, o deputado Orlando Silva (PC do B-SP), relator do texto, retirou dali o trecho que previa a criação de uma agência autônoma para fiscalizar as plataformas digitais. O projeto irá a plenário na próxima semana. Embora o posicionamento a favor da definição de parâmetros para as big techs seja majoritário no estudo Atlas/Intel, chamou a atenção dos pesquisadores o fato de 37,4% dos eleitores que disseram ter anulado o voto no primeiro turno não concordarem com a regulação das redes.
Risco para adolescentes – A pesquisa Atlas/Intel foi encomendada pela Avaaz, maior comunidade de ativistas online do mundo, que acompanha o projeto para criar uma lei contra a desinformação no Brasil. Apesar de haver grande apoio a favor da regulação das redes sociais (78%), 14% se manifestaram contrariamente a um novo modelo e 8% não souberam opinar. A maioria (74%), porém, respondeu que a falta de leis específicas para regulamentar as plataformas contribuiu para os recentes ataques registrados em escolas do País. Na avaliação de 93,7%, as redes não são seguras para adolescentes e crianças.
Por: Magno Martins



























