Eduardo Coutinho dormia quando foi atacado pelo filho

Daniel prestou depoimento à polícia no hospital onde continua internado e disse que pensou em se jogar da janela após tragédia, mas não teve coragem

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
Cineasta Eduardo Coutinho, em 2011Cineasta Eduardo Coutinho, em 2011 (Guillermo Giansanti)

O cineasta Eduardo Coutinho, de 81 anos, e a mulher dele, Maria das Dores Coutinho, de 62, estavam dormindo quando foram atacados com uma faca pelo próprio filho, Daniel, de 41 anos, na manhã de domingo passado. A informação foi dada nesta terça-feira pelo titular da Delegacia de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, que investiga o caso. Ele acompanhou a confissão do acusado em depoimento prestado no Hospital Miguel Couto, onde está internado e preso sob custódia.

“Daniel disse que chegou a pensar em matar o pai primeiro, porque o considerava mais frágil e achava que ele morreria facilmente. Mas acabou atacando a mãe antes, porque ela estava mais próxima. Mesmo esfaqueada, Maria das Dores conseguiu correr até o banheiro, onde permaneceu até ser socorrida pelos bombeiros. Coutinho não teve a mesma chance”, detalhou Barbosa, que não trabalha com a hipótese de o crime ter sido premeditado.

O filho caçula do cineasta, que teve a prisão preventiva decretada na segunda-feira, afirmou que tinha medo da vida e, por isso, pensou em se matar. Antes, porém, decidiu assassinar os pais, “porque não queria deixá-los desamparados”. Daniel desferiu duas facadas contra o próprio peito e abdômen, e chegou a cogitar uma atitude mais radical: jogar-se da janela do apartamento que fica no sexto andar. Faltou-lhe coragem.

Barbosa afirmou que Daniel será submetido a um exame de sanidade mental. Apesar das suspeitas de que ele sofreria de esquizofrenia, a doença ainda não foi comprovada. Investigadores com formação em Psicologia ouviram o depoimento, mas sem a missão de avaliá-lo. Daniel negou ter passado por algum tratamento psiquiátrico, mas revelou já ter sido internado por dependência em maconha e cocaína. Entretanto, a Polícia Civil não pediu exame toxicológico para verificar se ele havia usado drogas no dia do crime.

Fonte: Veja

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *