Por Ricardo Antunes
Uma saia justa (literalmente) rachou a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), que tem metade de sua diretoria de 24 integrantes ocupada por mulheres. A discórdia ocorreu justamente sobre questão de gênero no Judiciário.
A diretoria da entidade resolveu fazer uma consulta interna enquanto o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) discutia a regra de gênero como um segundo critério na promoção de juízes da segunda instância, alternando com o critério tradicional de lista mista por merecimento. A decisão acabou aprovada no último dia 26, após adiamento de uma semana, por pedido de vistas.
A consulta foi o estopim. Um grupo de juízas da associação divulgou uma “Carta à Diretoria da Ajufe” classificando a iniciativa de “machista”, informaram o portal Metrópoles e o Correio Braziliense. “Além de submeter um grupo minorizado à regra da maioria, a consulta também fomenta o conflito de interesses entre associados e associadas. A postura que se espera da associação é de neutralidade e não de combate”, diz a carta.
VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Vai além: “A consulta revela atitude de violência de gênero real e simbólica, servindo para perpetuar um estado de discriminação institucional e estrutural em desfavor das mulheres”. A carta cita a Comissão Ajufe Mulheres, criada em 2017 na estrutura da entidade, como “comprometida com a igualdade de gênero e raça no Poder Judiciário”. A Comissão Ajufe de Mulheres tem página própria no site da entidade.

IMBRÓGLIO
Engrossando o imbróglio, a diretoria da Ajufe chegou a redigir nota em que as signatárias da carta se retratariam. A diretoria se queixou de que o tom da carta foi desproporcional e fortemente agressivo e justificou que uma mera consulta a um texto em discussão no CNJ jamais poderia ser classificada como uma violência de gênero, conforme classifica a carta. Não houve retratação.
POUCAS SAIAS
Os dados são da própria Ajufe: dos 1.971 juízes federais em atuação, 32% são mulheres. Entre os 136 desembargadores, apenas 19% são do sexo feminino. Sediada em Brasília e presidida pelo juiz Nelson Gustavo Ribeiro Alves, carioca com atuação em Santa Catarina, eleito para o biênio 2022/24, a Ajufe está rachada.


























