Por Magno Martins
Em evento, ontem, no Recife, a governadora Raquel Lyra filiou o grupo de prefeitos que estava no PSDB ao seu novo partido, o PSD. Foi um ato tardio, que deveria ter ocorrido lá atrás, em 10 de março passado, quando a gestora formalizou sua saída da legenda tucana para estar na base do governo Lula (PT), da qual o PSD faz parte.
Raquel se filiou sozinha porque imaginava que iria manter o controle do PSDB, o que, na prática, representaria mais tempo de TV no horário eleitoral da sua campanha em 2026 e, ao mesmo tempo, a fisgada no fundo eleitoral e partidário, que é bem polpudo. Nas duas últimas eleições — a dela para governadora e a municipal — recebeu cerca de R$ 40 milhões do fundo eleitoral.
Mas o presidente do diretório nacional, Marconi Perillo, foi mais esperto do que a governadora. Entregou o comando do partido em Pernambuco ao presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto, que, no seminário do PSB no último fim de semana, formalizou seu rompimento com o governo, anunciando apoio à pré-candidatura de João Campos a governador.
Diante disso, a governadora teve que acolher os prefeitos tucanos ao partido que agora promete juras de amor, no qual enxergou o caminho mais curto para abrir um segundo palanque a Lula nas eleições do próximo ano. A depender do cenário presidencial em 2026, provavelmente este seu projeto não se viabilize, porque há uma tendência natural de o PSD lançar candidato próprio.
Fala-se no governador do Paraná, Ratinho Júnior, que patina nas pesquisas. Também não está afastada a possibilidade de a costura se dar em torno do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas. Este, entretanto, depende da boa vontade do ex-presidente Jair Bolsonaro, que estaria mais propenso a apoiar um nome da família, caso não venha a restaurar seus direitos políticos, o que parece extremamente difícil.
FIDELIDADE BAIXA – Prefeito não tem influência na eleição para governador. Quando derrotou Miguel Arraes em 98, Jarbas Vasconcelos não tinha sequer 30 prefeitos no seu palanque. Na verdade, gestor municipal só transfere votos na eleição proporcional, tanto para deputado federal quanto para estadual. Prefeitos, em geral, com raras exceções, têm uma baixíssima taxa de fidelidade. Dependendo da direção do vento que sopra em direção ao poder, mudam de lado como mudam de roupa.




























