Casos como o da enfermeira têm sido cada vez mais comuns. Dados do Ministério da Previdência mostram que, em 2024, quase meio milhão de brasileiros se afastaram do trabalho devido à ansiedade e à depressão. Trata-se de um número 68% maior do que em 2023 e o maior índice em uma década. As mulheres representam a maioria desses afastamentos, totalizando 64% dos casos registrados. Essa prevalência feminina está ligada a aspectos como a sobrecarga de responsabilidades – sendo elas as principais cuidadoras domésticas e familiares – e a desigualdade salarial e insegurança financeira. Conforme dados do IBGE, em 2022 as mulheres receberam salários menores que os homens em 82% das principais áreas de atuação.
Nova regulamentação
A crise da saúde mental no ambiente de trabalho é global: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que depressão e ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, resultando em um prejuízo de US$ 1 trilhão. Diante desse cenário, o Brasil atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que prevê a inclusão dos riscos psicossociais nas fiscalizações trabalhistas e cujas mudanças entrarão em vigor no dia 25 de maio.
A nova regulamentaçãoexige que as empresas adotem sistemas de gestão queidentifiquem os riscos psicossociais. Para isso,será necessário realizar umaanálise detalhada do ambiente de trabalho e mapearos fatores de risco, como ascondições de trabalho, a carga horária excessiva, a pressão por metas e o assédio. OGerenciamento de RiscosOcupacionais (GRO) é uma ferramenta já existente naNR-01, mas que agora passaa englobar também a saúdemental, como explica Fláviada Veiga, CEO da Be Happier, plataforma de Felicidade Corporativa. “A NR-1 é essencial para garantir que as empresas não só cuidem da segurança física dos trabalhadores, mas também de seubem-estar mental. Ignoraresses riscos pode trazer impactos significativos na própria organização, como aumento da rotatividade, absenteísmo e queda na produtividade”, afirma.
As empresas agora estarão obrigadas a implementar medidas preventivas, como treinamentos, campanhas de conscientização eações de apoio psicológico. Apartir de maio, elas terão que registrar no e Social a identificação e o plano deação para os riscos psicossociais. As organizações que não fizerem isso, estarão sujeitas a penalidades,que vão de multas até mesmo o fechamentos operações, caso não comprovem que tomaram as medidas necessárias para garantir a saúde mental dos seus colaboradores.
Mas não basta cumprir asexigências formais. É preciso promover mudanças reais na forma como saúde e segurança são tratadas no espaço de trabalho. “A prevenção é o melhor caminho. Após avaliar todos os riscos,com base em métodos e ferramentas apropriadas, o empregador deve criar umplano de ação com medidas corretivas e preventivas alinhadas às necessidades daequipe. Esse plano deve ser ajustado sempre que necessário”, explica Flavia de Castro, advogada especialista em prevenção de riscos trabalhistas. “Outro passo importante é criar programas de apoio psicológico voltados ao perfil dos colaboradores”, acrescenta.
De acordo com dados da Gallup, programas de bem-estar reduzem em 43% os casos de burnout e 55% arotatividade dos funcionários. Os números também apontam que “trabalhadores mais felizes são 25% mais eficientes, 47% mais produtivos, 50% mais motivados, 82% mais satisfeitos com otrabalho e 108% mais engajados”. Por isso, vale o investimento para se adaptaràs mudanças na legislaçãobrasileira. “Deixar de implementar medidas de saúdemental ou não atualizar ostreinamentos conforme anova diretriz pode resultarem multas, processos judiciais indenizatórios e desgaste interno. Entender essas mudanças como parteda sua estratégia de gestão, enão como mero cumprimento burocrático, colocará as empresas um passo à frente, legal e institucionalmente”, resume Flavia deCastro.



























