
Por Larissa Rodrigues
A tarefa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), à frente do partido é basicamente promover uma reforma geracional. No próximo domingo, ele será elevado a presidente nacional do PSB no congresso da sigla, em Brasília, com a responsabilidade de ser o principal ativo político da legenda, nas palavras do atual presidente socialista, Carlos Siqueira.
Siqueira foi o entrevistado de ontem (27) do podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog, e reforçou o papel de João Campos ao assumir o partido nacionalmente. De acordo com Siqueira, o prefeito terá o desafio de liderar a autorreforma da legenda, ou seja, as diretrizes para o projeto de desenvolvimento nacional.
“Esse projeto não foi concluído. Ele foi discutido por uma conferência nacional que nós fizemos, em dois anos de discussão, mas precisa ser concluído ao longo dos próximos mandatos do PSB, não apenas nos próximos três anos”, destacou Siqueira.
O prefeito é a liderança ideal, segundo o atual presidente do PSB, para comandar as mudanças necessárias à legenda. “Eu vejo na pessoa de João Campos essa pessoa que pode dar continuidade à autorreforma, à modernização e evolução do partido, a uma nova forma de comunicação, às propostas de desenvolvimento mais inovadoras para os municípios, para os estados e, futuramente, para o próprio país”, explicou o presidente.
Carlos Siqueira esteve no comando do PSB durante a última década. Ele assumiu a sigla dois meses após a morte do ex-governador Eduardo Campos, em 2014, pai de João Campos, e se despede da presidência nacional reforçando a necessidade de os partidos de esquerda no Brasil formarem novas lideranças, assim como João Campos.
Siqueira lembrou que, em 2026, por exemplo, a direita pode lançar mão de vários nomes para concorrerem à Presidência da República, como os governadores Ronaldo Caiado (UB), de Goiás, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas (RP), de São Paulo. Mas, quando se olha para a esquerda, só o nome do presidente Lula (PT) é vislumbrado.
“Eu quero uma reforma geracional, uma nova liderança. Acho que o João Campos está preparado para isso. Ele tem disposição e não pediu para ser presidente, ele aceitou o desafio que eu propus a ele e trabalhei isso com todos os líderes do partido. Estou muito esperançoso de que ele inspire muitos jovens a ingressarem na política e se torne uma liderança nacional”, frisou Siqueira.
Missão dura – O ainda presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que não esperava ser presidente da legenda e relembrou como foi surpreendido com a missão de comandar o partido, após a morte de Eduardo Campos. “Nunca me passou pela cabeça ser presidente nacional do PSB”, comentou. A escolha ocorreu, relatou, faltando apenas três dias para a eleição interna, após a rejeição ao nome do então vice-presidente da sigla. Siqueira contou que, embora nunca tenha disputado uma eleição, foi visto como o único capaz de unificar a sigla num momento de luto e instabilidade. “Assumir um partido depois de Eduardo Campos não foi fácil. Mas me senti honrado porque o conjunto do partido, por unanimidade, escolheu meu nome”, disse.

























