Bahia: entre o BDM e o CV, o que aconteceu com Daniel e o ‘Trem do Ódio’
Por: Bruno Wendel
Comerciantes são obrigados a escolher entre o BDM e o CV
Um problema que só piora. Além da obrigação de pagar o “pedágio” ao Comando Vermelho (CV), proprietários de provedores de internet foram também ameaçados pelo Bonde do Maluco (BDM).
O que acontece é que em regiões onde existe a presença das duas organizações criminosas, como IAPI, Pernambéus, Tancredo Neves e Suburbana, estes comerciantes estão sendo obrigados a decidir de que lado estão. Isso porque, para o BDM, eles podem levar informações para o rival quando em seu território. “Quem paga ao CV não pode ficar”, diz uma fonte que trabalha no ramo.
E você pensa que parou aí? Agora, a facção carioca promete retaliação a quem atender às exigências das “três letrinhas”.

Sinais de facções Crédito: THAINÁ DAYUBE / ARTE CORREIO
O que aconteceu com Daniel ?
Já são mais de 20 dias sem respostas. O que aconteceu com o ajudante de pedreiro Daniel Vitor dos Santos Silva, de 24 anos, naquela tarde de 21 de abril, depois de ele correr para uma mata em Saubara ? Ele era perseguido por 15 homens da facção “A Tropa”.
Daniel é de Cabuçu, distrito da cidade, região controlada pelo Bonde do Maluco (BDM). Na manhã do dia, Daniel e um amigo foram levados para a delegacia, no centro da cidade, porque estavam sem documentos, mas depois foram liberados. Porém, a A Tropa, que atua no centro, achou que eles eram rivais e parou a van em que estavam.
Na hora, Daniel desceu e correu para a mata, que dá para o município de Cachoeira e foi perseguido. Testemunhas ouviram disparos. A polícia realizou buscas em vão e até hoje o mistério permanece, para desespero da família do rapaz.

Daniel desaparece na mata após ser perseguido pela A Tropa Crédito: Acervo Pessoal
“Trem do Ódio”: grupo expulsa moradores
O “Trem do Ódio”. Assim, é denominado um grupo de artilharia do Comando Vermelho na Engomadeira e vem barbarizando o bairro, inclusive expulsando moradores na localidade da Candelária e entrando em conflito com a polícia.
Cansados da opressão, a comunidade denunciou e, na quarta-feira (13), policiais civis e militares realizaram uma operação, encontraram várias casas abandonadas e trocaram tiros com os traficantes.
Ninguém foi preso.

Policiamento reforçado na região da Engomadeira Crédito: Arisson Marinho/CORREIO


























