Por Larissa Rodrigues
O campo bolsonarista na Câmara dos Deputados articula propostas para anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Um dos projetos determina perdão completo a todos os alvos do Supremo Tribunal Federal (STF) por iniciativas antidemocráticas desde 2019.
A ideia é beneficiar os investigados, processados ou condenados por ações contra a democracia a partir de 14 de março de 2019, permitindo, assim, que Bolsonaro possa disputar a Presidência da República no ano que vem. O ex-presidente está inelegível por oito anos após duas condenações em 2023 pela Justiça Eleitoral.
Ao que tudo indica, a proposta tem amplo apoio do centrão. Quatro partidos são favoráveis ao texto: o PL, o Republicanos, o União Brasil e o PP. Esses dois últimos desembarcaram do governo do presidente Lula (PT).
Além das quatro siglas, o grupo espera ainda ter o apoio do PSD, de Gilberto Kassab. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem assumido a dianteira da batalha. A articulação tem um cálculo político: Tarcísio mostraria lealdade a Bolsonaro, de olho nos votos do capitão para a disputa contra Lula à Presidência da República em 2026.
Gilberto Kassab, por sua vez, pensa na possibilidade de o PSD assumir a vaga deixada por Tarcísio de Freitas em São Paulo. Toda e qualquer batalha envolvendo anistia tem como foco as eleições de 2026 e, com o apoio de legendas como o PSD e o PP, as chances de aprovação são maiores.
O presidente Lula, inclusive, manifestou preocupação com o assunto. Lula já se deu conta de que há o “risco” de o Congresso Nacional aprovar a anistia. “Se for votar no Congresso, nós corremos o risco da anistia, porque o Congresso, vocês sabem, não é um Congresso eleito pela periferia. O Congresso tem ajudado o governo, aprovou quase tudo que o governo queria, mas a extrema-direita tem muita força ainda”, disse Lula ontem, durante uma roda de conversa com comunicadores e ativistas em Belo Horizonte.
Sem definição – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou ontem que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), “tem interesse” em aprovar um projeto de lei que trata sobre a anistia, mas que ainda não existe uma definição sobre o tema. “O governador é um querido amigo, é do nosso partido. A gente tem dialogado sempre. O governador tem um interesse que se paute a anistia. Isso é público. Nós estamos ouvindo a todos. Estamos ouvindo os líderes que têm interesse e também aqueles que não têm”, afirmou o presidente da Câmara.

Por falar em Câmara – Apesar de ter solicitado à Câmara autorização para exercer o mandato à distância, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde fevereiro, não tem registrado presença nem voto nas sessões semipresenciais realizadas desde o fim de sua licença parlamentar, encerrada em 20 de julho. Nas seis sessões semipresenciais desde o fim da licença, Eduardo não participou de nenhuma. Segundo dados disponíveis na página oficial do deputado no site da Câmara, ele tem 13 dias de presença registrados e 17 ausências não justificadas em 2025, pouco mais da metade das sessões realizadas neste ano. As informações são da CNN Brasil.



























