Brasil entra em 2026 mergulhado na polarização política

 

Por Larissa Rodrigues

O Brasil vai encerrar o ano de 2025 mergulhado na polarização política que rachou o país há quase uma década. De um lado, a esquerda e a centro-esquerda unidas em torno da reeleição do presidente Lula (PT) e de pautas progressistas, que defendem a diversidade humana e a inclusão social. Do outro, a extrema-direita e parte da direita, com valores conservadores que carregam certa dose de resistência aos direitos individuais e ainda sem rumo definido para as eleições de 2026.

A saída para reduzir e até eliminar a polarização é complexa e exige várias frentes de trabalho. Para o professor, escritor, cientista político e sociólogo Antônio Lavareda, esse caminho de união depende, por exemplo, de fatores econômicos e reformas institucionais. Lavareda foi o último entrevistado de 2025 do podcast do Blog do Magno Matins neste ano.

“Para melhorar o clima político do país, torná-lo mais respirável em boa medida, você precisa ter um conjunto de circunstâncias. Você precisa ter, por exemplo, uma economia caminhando bem, o país crescendo. Só o crescimento econômico ajuda a diminuir as tensões de uma sociedade”, destacou Lavareda.

Segundo o cientista, o combate às fake news tem papel fundamental no processo de rompimento da polarização. “Para isso, é necessário encarar a questão da necessidade de regulação das redes sociais, algo muito difícil no Brasil hoje”, comentou. Lavareda defendeu o aperfeiçoamento institucional e a reforma do sistema eleitoral como essenciais também.

“O Brasil, aliás, carece de pequenas reformas em todos os poderes, haja vista essa crise na qual o Judiciário está mergulhado no momento”, disse. O professor ainda apontou como caminho o fortalecimento de partidos de direita e centro-direita, com mais condições de desafiar a ultradireita, como ocorreu em países como Portugal, Espanha e Alemanha.

“Eu costumo dizer que só quem enfrenta com sucesso a extrema-direita, do ponto de vista eleitoral, em todo o mundo, não é a esquerda. A esquerda não tem condição de enfrentar a extrema-direita, porque não vai ter votos direcionados à extrema-direita. Só quem pode enfrentá-la são esses partidos de centro e centro-direita”.

Na opinião de Lavareda, o presidente Lula entrará em 2026 com discreto favoritismo, mas a eleição ainda não está resolvida e vai depender de fatores internos da própria campanha, de escândalos que podem surgir, se a economia estará na direção projetada, entre outros. “Lembrando que das nove eleições presidenciais que nós tivemos, quem terminou o ano anterior em primeiro lugar nas pesquisas, e é como o Lula termina, ganhou a eleição, ganhou seis das nove eleições presidenciais na Nova República”, enfatizou.

Flávio e Jair – O professor Antônio Lavareda acredita que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, indicado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), inelegível e preso, é viável e competitiva. Embora avalie Lula (PT) como favorito, ele reforçou o potencial de Flávio. “Flávio é tão competitivo quanto seria o pai se pudesse participar da eleição. O eleitor que votaria em Jair Bolsonaro provavelmente votará em Flávio. Não vejo grandes diferenças. Essa rejeição ao Flávio diminuirá ao longo do tempo, à medida que ficar mais claro para todo o eleitorado bolsonarista que ele de fato é um candidato ungido por seu pai”, avaliou.

Rejeição de Lula – Para Lavareda, Flávio Bolsonaro deverá ter entre 90% e 95% dos votos daquele segmento eleitoral que votaria no ex-presidente. “Não acho que o Flávio seria inviável. O que vai definir a eleição é a rejeição ao Lula. O candidato que o enfrentar no segundo turno vai ser diretamente beneficiado por essa rejeição. Então, a aprovação e rejeição do Lula, hoje, são as variáveis básicas para a elaboração de qualquer prognóstico que se queira estimar com relação a 2026”, explicou Lavareda.

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