Por Larissa Rodrigues
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), tenta viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições deste ano, se tornando uma alternativa ao que chamou de “polarização fratricida” entre os campos lulista e bolsonarista. O gestor foi o entrevistado de ontem (13) do podcast do blogueiro e jornalista Magno Martins.
Eduardo Leite acredita que há uma parcela da população cansada dos quadros atuais da política brasileira e é preciso oferecer uma opção para esse eleitorado. O gestor tem o nome defendido por outras lideranças, como o presidente do Cidadania, o ex-senador pernambucano Roberto Freire, que lançou o nome de Leite como caminho neste mesmo espaço.
Na eleição de 2018, Eduardo Leite venceu a disputa pelo Rio Grande do Sul no segundo turno, com 53% dos votos válidos, derrotando o ex-governador José Ivo Sartori (MDB). Tornou-se um dos governantes mais jovens da história do Estado e o primeiro chefe de Poder Executivo brasileiro abertamente homossexual.
Foi reeleito em 2022 e, após a vitória, escolhido presidente nacional do PSDB, sucedendo Bruno Araújo. Porém, em maio de 2025, migrou para o PSD, de Gilberto Kassab, após 24 anos no ninho tucano. Inclusive, Leite citou a antiga polarização entre PSDB e PT para exemplificar a necessidade de mudanças no quadro político atual da nação.
“Tenho convicção de que muitos brasileiros, assim como eu, não se conformam com essa polarização que está aí. Polarização sempre houve. Lá na década de 90, início dos anos 2000, havia uma polarização entre o PSDB e o PT. Mas essa que está aí (lulismo x bolsonarismo) é absolutamente fratricida, coloca brasileiros contra brasileiros. O que mais a gente assiste no debate político entre esses dois polos é a tentativa de destruição um do outro”, criticou.
Para Leite, o Brasil precisa ir às urnas votar por um projeto de país. “Vou trabalhar fortemente a partir do meu partido, do PSD, para que a gente possa ajudar a construir um caminho alternativo a essa polarização, oferecer aos brasileiros a oportunidade de ir para as urnas para votar a favor de alguém e de um projeto de país, e não simplesmente para votar contra um dos dois”, destacou.
Perda de energia – O governador do Rio Grande do Sul apontou a perda de energia da política brasileira atual, que, em vez de concentrar esforços em apresentar soluções para o Brasil, tenta destruir opositores. “Tem que atacar os problemas, não ficar atacando uns aos outros. Como a gente falou, tem problema de segurança pública, de infraestrutura, de formação de mão de obra, de educação, nas prestações de serviços públicos, como na saúde. O Brasil tem gargalos que limitam o nosso desenvolvimento, precisam ser atacados e enfrentados, mas perde-se um tempo e uma energia monumental simplesmente tentando apontar o dedo para culpados, que é o mais fácil”, argumentou.

Sem apoio para Flávio – Para o governador gaúcho, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência não contará com o aval do PSD, porque a legenda não quer entrar em campo radicalizado. “Se houvesse uma disposição daquele campo de fazer um gesto mais em direção ao centro, que poderia ser inclusive representado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (RP), haveria a disposição do PSD de apoiar. Mas não é isso que se apresenta, que é justamente essa radicalização. O que trabalhamos é justamente para trazer o país mais para a moderação, a serenidade, o equilíbrio. Isso é o que eu defendo, que é o DNA do PSD”, frisou.



























