Por Larissa Rodrigues
Ao formalizar o pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), ontem (19), o deputado Romero Albuquerque (UB) criou um fato político. Mesmo sabendo da dificuldade de o processo prosperar na Casa, porque a governadora tem a maioria dos parlamentares como aliados, o pedido gera desgaste para Raquel, sobretudo em um ano eleitoral.
Para aprovar um impeachment, é preciso que haja quórum, o que hoje a oposição não tem, mesmo havendo materialidade na denúncia contra a governadora no episódio da falta de fiscalização da empresa Logo Caruaruense por parte do Estado. A empresa pertence ao pai de Raquel Lyra, o ex-governador João Lyra Neto, e opera de forma irregular em Pernambuco desde que Raquel assumiu a gestão, há três anos, segundo investigação do portal Metrópoles.
No entanto, além do desgaste externo, com o episódio da Logo Caruaruense sendo lembrado na memória da população toda vez que houver algo novo sobre o pedido de impeachment, Romero Albuquerque acabou valorizando internamente, nos corredores do Palácio do Campo das Princesas e também na Alepe, a fidelidade dos deputados da base governista, porque agora virou uma missão ainda maior para Raquel e sua Casa Civil agradar aos governistas, principalmente os mais distantes.
É pouco provável que os mais próximos e fiéis coloquem na mesa o peso de seus votos, neste momento, e a importância de seus apoios para Raquel. Já aqueles que não integram a “cozinha” da governadora, mas, mesmo assim, têm votado com ela, ampliaram o poder de barganha em um ano eleitoral, com praticamente todos buscando suas reeleições, o que não é nada confortável para Raquel.
Se tratando da relação do governo de Raquel com a Alepe, nada é simples. O pedido de impeachment, como disse a líder da bancada governista, Socorro Pimentel (UB), ontem (19), pode até ser “uma grande cortina de fumaça dos aliados do prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, para encobrir o recente escândalo envolvendo um concurso público na cidade”, já que ele vai enfrentar a governadora nas eleições de outubro.
Porém, sendo espuma ou não, o fato político criado por Romero Albuquerque tem grande potencial de gerar dor de cabeça para a chefe do Poder Executivo. Para ser aprovado no plenário, o pedido de impeachment precisa do aval de dois terços dos deputados, ou seja, 33 parlamentares. Na atual conjuntura, a oposição não obtém esses 33 votos, mas nada garante que o cenário se mantenha com o trabalho dos bastidores, o que vai exigir de Raquel mais articulação para preservar a base unida e fiel.



























