Fim da escala 6×1 impacta diretamente vida de mulheres brasileiras

 

Por Larissa Rodrigues 

Ao defender o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (6×1) no Brasil, ontem (21), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tocou no ponto mais sensível da pauta: a dupla jornada feminina. Dados de instituições consolidadas apontam que as brasileiras estão exaustas. Não por acaso, estão ávidas por votar em quem defende seus interesses, e o fim da escala 6×1 tem impacto direto na rotina das mulheres.

Assim como Boulos, é bom que outros políticos atentem para esse número: segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são maioria e representam 53% do eleitorado brasileiro. Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, Boulos argumentou que o fim do modelo vai aumentar a produtividade e mencionou o trabalho doméstico.

“E por que aumenta a produtividade? Com seis dias de trabalho, um de descanso – e às vezes esse um, principalmente para as mulheres, é para fazer serviço de cuidado em casa – quando essa pessoa chega ao trabalho, ela já está cansada. Quando esse trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Então, o que a gente sustenta é baseado em dados”, afirmou.

Boulos não falou sem fundamento. O ministro apontou um estudo da Fundação Getulio Vargas, de 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. O levantamento mostrou aumento de receita de 72% dessas empresas e de cumprimento de prazos em 44%. “Estão reduzindo mesmo sem a legislação”, destacou.

No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontam que as mulheres gastam, em média, 21 dias a mais do que os homens em tarefas domésticas, o equivalente a 499 horas a mais de trabalho. No período de um ano, os homens dedicam 612 horas aos afazeres domésticos, enquanto as mulheres, 1.111 horas, segundo o IBGE, exemplificando a necessidade do fim da escala 6×1 e o impacto da medida na vida das brasileiras.

Mesmo que não houvesse dados tão expressivos sobre a dupla jornada feminina no Brasil, ainda seria possível defender o fim da escala com exemplos de sucesso fora do país, como fez Boulos. O ministro contou que a empresa Microsoft, no Japão, adotou a escala 4 por 3 e teve aumento de 40% na produtividade individual do trabalhador, além de citar exemplos de outros países.

“A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas [semanais], com jornada 4 por 3. Sabe o que aconteceu? A economia da Islândia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos. Não foi uma lei, isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou, em média, 2% da produtividade”, disse.

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