Foliona em cadeira de rodas que ‘sumiu’ em pipoca de Xanddy diz que está bem após furto: ‘Faria tudo de novo’

Cleuma Gonzalez, de 43 anos, é paratleta e curte o Carnaval de Salvador desde 2014

Por Maysa Polcri

Conheça a paratleta que viralizou em vídeo na pipoca Crédito: Reprodução

O vídeo até assusta: em meio à multidão da Melhor Segunda-Feira do Ano, em Salvador, uma mulher que usa cadeira de rodas é ‘engolida’ por foliões durante a abertura de uma roda, no Largo do Farol da Barra. Não demorou para que as imagens viralizassem nas redes sociais e causassem preocupação. Mas, afinal, quem é a fã de Xanddy Harmonia filmada na pipoca?

O CORREIO conversou com Cleuma Gonzalez, de 43 anos, que é, além de foliona de carteirinha, paratleta e jogadora de basquete. Ela contou que acompanhou o trio desde o início do percurso, em Ondina, até o final do circuito, onde o incidente aconteceu, na segunda-feira (9). No aperto da roda, a cadeira de rodas caiu no chão, mas ela foi rapidamente levantada por outros foliões e não se feriu.

“Não fui pisoteada e nem esmagada. Na mesma hora que a cadeira tombou, as pessoas me levantaram e eu não cheguei nem a cair no chão”, tranquiliza. Ao longo desta terça-feira (10), Cleuma tem recebido diversas mensagens de amigos e parentes que assistiram ao vídeo que viralizou. “Eu caí como qualquer pessoa poderia ter caído. Foi um incidente, mas eu faria tudo de novo”, afirma.

Bem-humorada, Cleuma Gonzales conta que começou a curtir o Carnaval em 2014, em camarotes. Mas o desejo de estar perto da pipoca falou mais alto e há alguns anos ela desfila em blocos, especialmente os puxados por Xanddy Harmonia. “As pessoas acham que por estar em uma cadeira de rodas, eu não tenho o direito de me divertir, mas não é bem assim”, diz.

A paratleta não se feriu no incidente, mas teve o celular furtado quando a cadeira tombou no meio da multidão. “Eu creio que é algo que poderia ter acontecido com qualquer pessoa”, ressalta. O episódio não tirou sua vontade de continuar com a sua programação de Carnaval, que inclui o Pipoco, comandado por Léo Santana nesta terça-feira (10), e a quinta-feira (12).

E se engana quem pensa que Cleuma precisa de companhia para aproveitar a folia. Ela garante que curte sozinha, quando amigos ou parentes não podem participar. O maior obstáculo, ela conta, é a ladeira em frente ao Morro do Cristo, por isso, o circuito invertido do pré-Carnaval, dá maior liberdade à foliona.

“Quando o sentido é Ondina-Barra, como na Melhor Segunda e no Pipoco, é melhor porque eu não preciso de ajuda para subir a ladeira. Durante o Carnaval normal, é preciso que alguém ajude a empurrar a cadeira”, explica. A presença também é garantida no Campo Grande. “Eu amo estar no meio das pessoas, na rua e me sentir independente”, resume.

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