Caso PM Gisele: testemunhas citam “instabilidade emocional” de coronel

Corregedoria da PM instaurou inquérito para apurar denúncia a qual afirma que oficial teria ameaçado e intimidado soldado baleada na cabeça

Alfredo Henrique, do Metrópoles

A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, de 32 anos, passou a incorporar relatos que descrevem o comportamento do marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53, como marcado por episódios de instabilidade emocional e atitudes de intimidação.

As informações constam na portaria que instaurou o Inquérito Policial Militar (IPM) aberto pela Corregedoria da PM para apurar denúncias envolvendo o relacionamento do casal. O documento, elaborado dois dias após a morte da soldado, aponta que testemunhas teriam presenciado episódios de perseguição e ameaças contra a policial.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça, na manhã de 18 de fevereiro, na sala do apartamento onde vivia com o oficial, no Brás, região central da capital paulista. Ela foi socorrida em estado gravíssimo e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu, horas depois.

O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da PM conduz apuração paralela sobre possíveis crimes militares ligados ao relacionamento do casal.

Denúncia menciona perseguição e ameaças

De acordo com a portaria que determinou a abertura do IPM, obtida pelo Metrópoles, a Corregedoria recebeu uma denúncia relatando que o oficial apresentaria comportamento instável.

No documento, consta que o tenente-coronel possuiria “instabilidade emocional” e que seriam recorrentes episódios de perseguição e intimidação contra a soldado.

“O oficial possuía instabilidade emocional, sendo recorrentes os episódios de perseguição, intimidação e ameaças em desfavor da soldado PM Gisele Alves Santana, a qual vivia em estado de apreensão e medo”, diz trecho do documento oficial.

Ainda de acordo com o registro, esses episódios teriam sido presenciados por diversas testemunhas, o que motivou a abertura da investigação interna.

Relacionamento descrito como “conturbado”

A própria portaria da Corregedoria descreve o relacionamento entre o casal como marcado por conflitos. O documento menciona que, segundo registros policiais, Gisele e o coronel mantinham um “relacionamento conjugal conturbado”.

Nesse contexto, a investigação aponta que, na data da morte da policial, teria ocorrido uma discussão entre os dois antes do disparo que atingiu a cabeça da soldado.

Segundo a versão defendida pelo tenente-coronel, Gisele teria feito o disparo contra si mesma, utilizando a arma pertencente ao marido, hipótese também analisada pelas autoridades.

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