Por Larissa Rodrigues
A partir de hoje (20), o que era especulação há meses passa a ser realidade. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), repete a trajetória do pai, o ex-governador Eduardo Campos, e se lança oficialmente na disputa pelo Governo de Pernambuco, nas eleições que ocorrerão em outubro.
Se antes de ser efetivado como pré-candidato o socialista movimentou os bastidores da política local, e surgiu em diversas pesquisas à frente da governadora Raquel Lyra (PSD), que nunca deixou dúvidas de que buscaria à reeleição, agora, formalmente pré-candidato, melhora sua interlocução com o eleitorado, porque deixa nítido seu objetivo. Fica mais fácil pedir votos.
Por mais que o prefeito tenha dado sinais, ao longo de meses, de que renunciaria ao mandato para concorrer ao Palácio do Campo das Princesas, essa ainda era uma realidade restrita a quem acompanha a política, mas para a população de maneira geral, o gestor começa o jogo hoje, ao anunciar seu projeto, no Hotel Luzeiros, às 12h, na Zona Sul do Recife.
Algumas figuras do meio político chegaram a duvidar se realmente João iria ser candidato, porque a aposta do prefeito é alta. O socialista vai deixar a gestão municipal na metade do mandato, depois de ser reeleito com quase 80% dos votos válidos, e sabe que se perder a eleição não poderá voltar à prefeitura, além de comprometer aspirações a voos mais altos.
Mas, assim como tem consciência dos riscos, João Campos, criado no ambiente do poder, também sabe que política é momento e que esse é o momento de tentar. Chega na disputa com competitividade, chances reais de vencer, uma chapa forte e o apoio precioso do presidente Lula (PT) em um Estado da federação majoritariamente lulista.
A oficialização da pré-candidatura de Campos consolida o cenário da disputa, que tende a ser de forte polarização com a chefe do Poder Executivo. Nesse aspecto, o prefeito acertou em explicitar seu lado, o lado de Lula, ao escolher nomes ligados ao presidente na composição do seu palanque, e largou na frente da governadora Raquel Lyra, que até o momento não disse ainda para o seu eleitorado qual é o seu lado e quem vai rodar o Estado com ela pedindo mais uma chance ao povo.
Mesmo tendo anunciado que recebeu o apoio do União Brasil, esta semana, a governadora parece ter dito de forma tímida que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), pode ser um dos seus candidatos ao Senado. A outra vaga ainda não tem definição, tampouco a vice. Em uma corrida polarizada como a que se desenha, detalhes podem fazer a diferença e, a partir de hoje, o maior adversário de Raquel em 2026 se apresenta à população dizendo o que deseja e com quem vai trabalhar.
Mudanças no secretariado – Com a saída do grupo dos Coelho da Prefeitura do Recife, João Campos, anunciou, ontem (19), os nomes da secretária de Cultura, Milu Megale, e do secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Felipe Matos, para acumular interinamente as pastas de Turismo e Lazer e Desenvolvimento Econômico, respectivamente. “Milu e Felipe são quadros experientes da nossa gestão, que chegam nessas secretarias para dar continuidade e impulsionar ainda mais o trabalho exitoso que integra o conjunto de ações da nossa gestão”, afirmou Campos.



























