Feminicídio no Le Parc: condomínio diz que não foi informado sobre medida protetiva

Condomínio garantiu que acesso de pessoas é realizado por procedimento rigoroso e que faz periodicamente atualização cadastral de moradores

O Le Parc Boa Viagem Residencial Resort se pronunciou, na tarde desta segunda-feira (23), sobre o caso do assassinato da estudante de medicina Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos.

A jovem foi morta nesse domingo (22) pelo marido, o empresário do ramo de esquadrias de alumínio e vidro, ligado à construção civil Silvio Souza Silva, de 48 anos. Também cantor, ele era conhecido no mundo artístico como ‘Dom Silver’.

No comunicado, a administração do condomínio esclareceu que o apartamento onde o feminicídio aconteceu era regularmente ocupado pelo casal envolvido, em contrato de locação vigente. Segundo os registros cadastrais do condomínio, o acesso ao imóvel se dava de forma regular.

Respondendo à possibilidade de medidas protetivas que tenham sido solicitadas por ambas as partes, o residencial disse que “não teve, até à data dos fatos, qualquer conhecimento acerca da existência de medida protetiva, ação judicial ou procedimento que restringisse o acesso de qualquer dos envolvidos à referida unidade ou às dependências do condomínio”.

Casal estava junto há oito anos | Foto: Reprodução/Instagram e Threads

“Esclarece, ainda, que o controle de acesso às dependências do condomínio é realizado por meio de procedimento rigoroso, com cadastro prévio de moradores e pessoas autorizadas, não tendo sido recebido, em momento anterior ao ocorrido, qualquer solicitação de bloqueio de acesso, seja por parte dos envolvidos, de terceiros interessados ou de autoridades públicas”, explicou a administração.

Ainda de acordo com a nota, o condomínio garantiu que faz atualização cadastral de moradores periodicamente, bem como de pessoas autorizadas a entrar e que é completamente restrita a entrada de pessoas não autorizadas.

Não aceitava o fim
Mais cedo, em entrevista à Folha de Pernambuco, uma parente da vítima alegou que Sílvio não aceitava o fim do relacionamento. O casal estava junto há oito anos e deixa uma filha de três. A união estável era considerada com “abusiva e conturbada” pelos familiares.

“Era um relacionamento conturbado. Ela não o aceitava mais e ele não aceitava o fim do relacionamento, a ponto de persegui-la. Tem casos que ele arrombou a porta do apartamento querendo entrar”, declarou a parente.

Processo judicial
A reportagem teve acesso a um processo judicial aberto por Silvio Souza Silva contra Isabel, na última segunda-feira (16). A questão tramitava na 4ª Vara Cível da Capital. Ele a processou por comportamentos que configuravam ameaça, perseguição reiterada (stalking) e ofensas à honra, inclusive por meio de mensagens enviadas através de transferências via Pix.

O documento também cita uma vez quando ela compareceu a um hospital “onde o autor se encontrava internado em estado grave, após tentativa de suicídio, supostamente incitada por mensagens da requerida.”

O homem alegou que aquilo gerou “grave abalo psicológico e colocando em risco a integridade física e emocional”.

Diante do cenário, foi proferido que Isabel se abstivesse de manter qualquer contato com o autor por quaisquer meios de comunicação; não realizasse publicações ou menções ao autor em redes sociais ou meios digitais e mantivesse distância mínima de 300 metros do autor, dos familiares dele e da atual companheira.

Em caso de descumprimento, de acordo com a ação, ela teria que pagar multa diária de R$ 500, limitada inicialmente ao montante de R$ 60 mil. A audiência de conciliação do caso estava marcada para as 9h do próximo dia 3 de junho.

De acordo com a familiar de Isabel, “ela não o ameaçava. Só rebatia as injustas agressões verbais que ele fazia”. Quanto ao processo, os parentes alegam que tudo já foi provado judicialmente.

O que diz a família de Sílvio?
Procurado pela reportagem, um irmão de Sílvio não respondeu às mensagens e nem ligação. O espaço segue aberto.

Polícia investiga
A Polícia Civil de Pernambuco informou que registrou, por meio da Equipe de Força-Tarefa de Homicídios na Capital, a ocorrência como “feminicídio consumado seguida de morte do autor”. A corporação disse ainda que um inquérito policial foi instaurado e as investigações seguem em andamento.

Velório e sepultamento
O velório de Isabel estava marcado para começar às 14h desta segunda-feira (23), no Cemitério Parque das Flores, no Curado, Zona Oeste do Recife. O enterro está previsto para 16h30. Ainda não há informações sobre o sepultamento de Sílvio.

 

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